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sábado, 13 de fevereiro de 2016

Uma noticia boa e Uma ruim

Bem,

Começando pela notícia boa :) Eu tirei minha tornozeleira eletrônica ontem!!! Meio atrasado a notícia mas ela é importante de qualquer jeito. Quando estava tentando conversar com o pessoal do DEPEN para ver o procedimento de retirada acabei mandando uma mensagem para o fale conosco deles reclamando da dificuldade em arrumar informações precisas.

Isto acabou chegando num escalão mais acima que acabou determinando que o pessoa do monitoramente verificasse meu caso e desse um jeito. Resultado, existe uma portaria que diz que é ônus do Juíz pedir a extensão. Na falta da mesma eu não posso ser prejudicada e ficar com a tornozeleira logo eles removeram. O cara me ligou as 5 da tarde perguntando se eu podia ir as 7 da noite para tirar. Claro que sim!!! Logo, estou 1 dia livre da tornozeleira.

A notícia ruim é que o Juíz pegou meu caso para analisar e dar a sentença. Não é exatamente uma notícia ruim afinal isso iria acontecer de qualquer jeito. Entretanto significa que meu caso está andando e logo logo devo saber meu destino.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Audaciosamente indo onde eu nunca fui

O título deste post indica muita coisa sobre o que estará escrito. Sim, uma tradução livre, adaptada, da famosa frase do Jornada nas Estrelas. Parte do texto que descreve a missão da Enterprise. Na série simboliza a idéia de que a nave explora novos sistemas no Universo. Significa avançar em direção ao desconhecido de coração aberto. Isto é o que eu decidi fazer com a minha própria vida.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Sumido

Oi!

Sei que ando sumido daqui...me desculpem por isso. Não queria ter negligenciado o blog neste tempo em que estive ausente mas é que houve algo que aconteceu comigo que não consegui mais ter foco em mais nada.

Eu encontrei um lugar online onde pessoas que tem o mesmo problema do que eu se encontram para discutir a sua doença, as maneiras como eles fazem para evitar seus impulsos e apoiar uns aos outros! Este lugar é fantástico, mágico na verdade. Nunca achei que algo assim existisse. Não consigo expressar para vocês a felicidade que é ter encontrado isto. Já criei uma conta lá e me apresentei e contei tudo o que aconteceu comigo (com mais detalhes do que aqui afinal lá é um lugar específico enquanto que aqui não). Fora que lá também não é um lugar público então me sinto mais a vontade para conversar com detalhes sobre o que aconteceu.

Tem sido muito legal. Claro, ao mesmo tempo é um pouco humilhante estar na presença de tantas outras pessoas que enfrentam o mesmo problema mas que não agiram sob seus impulsos. Este fato me deixa um pouco triste porque me faz ver como eu poderia ter gerenciado as coisas melhores na minha vida. Mencionei como eu guardava meus sentimentos dentro do mim até o momento em que isso explodiu. Eles já me comentaram como isto, além da minha desordem de ansiedade, de impulsividade e bipolaridade, facilitaram que eu cometesse um crime. Mas eles ofereceram muito suporte e compaixão! Muitos desejos de que eu seja uma pessoa melhor e estão me apoiando muito! Em contrapartida já consegui falar com várias pessoas que estão depressivas por terem o mesmo problema que eu e que ainda estão "escondidas" do mundo. Falar com elas, dizer que eu entendo e poder oferecer uma palavra de apoio é gratificante.

Então, por isso tenho dado uma esquecida daqui, mas não irei parar de postar. Aqui é um lugar quase que praticamente meu. Um diário mesmo onde posso simplesmente desabafar o que eu sinto fora da visão de outras pessoas. Claro, existem vocês leitores, mas como vocês são mudos (ou manetas, afinal nunca escrevem nada nos comentários) é um exercício quase que solitário. As coisas que são escritas aqui, de modo genérico, são escritas com um pouco mais de refinamento de detalhes lá. Com o plus de que lá existem interações com outras pessoas que dão suas opiniões sobre o que eu penso e sinto.

Outro tópico, e este mais triste.... Ontem, dia 7, fez um ano desde que eu cometi o meu crime. Fiquei muito ruim ontem, muito deprimido. Foi com o suporte do pessoal que eu encontrei online e dos meus pais que eu pude atravessar esse período. Não quero me alongar muito aqui então outra hora falo mais sobre isso se me sentir a vontade. 

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Otimismo

Oi,

Faz alguns dias desde que eu postei aqui. As coisas tem estado meio corridas por aqui e tenho tido pouco tempo e muita preguiça para postar no blog.

Queria no entanto compartilhar algo que foi muito legal para mim. Ante ontem eu recebi um email de dois amigos meus que moram na Malásia. Eu havia viajado a trabalho para lá fazem mais de 5 anos e estas duas pessoas se tornaram minhas amigas. Eles trabalhavam para o cliente que eu atendia e por causa disso, e contatos posteriores de suporte, acabamos nos tornando amigos íntimos. Sempre mantínhamos contato via email, Skype ou Facebook.

Entretanto a alguns meses eu deletei minha conta no Facebook para evitar transtornos pessoais. Como não sabia o que poderia acontecer na audiência não queria manter minha conta do Facebook enquanto estivesse na cadeia. Além disso tinham algumas pessoas que me enviavam mensagens lá querendo saber sobre minha vida mas não com um intuito bom. Pareciam estar mais interessadas em fofoca que outra coisa. Também haviam algumas mensagens não tão educadas que eu recebia. Logo, me parecia a melhor opção simplesmente acabar com a conta e posso dizer que acho que tomei a decisão correta.

Estes meus amigos, é claro, perceberam que eu deletei minha conta do Facebook e me mandaram um email perguntando se estava tudo ok. Eu fiquei o dia inteiro dividido sobre se deveria responder ou não o email deles e se fosse responder o que eu diria. Contar a natureza da minha doença e do crime que eu cometi é muito complicado mesmo falando cara a cara, fazer isso por email então me parece muito pior. Entretanto, decidi que eu deveria responde e que eu deveria dizer abertamente o que aconteceu.

O email em si é bem longo, parecido com o tamanho dos posts desse blog, e tem um resumo de tudo que aconteceu comigo nesse ano. Escrevi esse email e no final disse que eu sentia muito de ter que contar isso via email e que caso eles achassem que não queria ter mais nada comigo que isso era ok. Que eu entendia se essa fosse a opinião deles.

Minha surpresa, que nem deveria ser surpresa considerando como eles são, é que eles me amavam e me apoiavam. Que eles entendiam como deve ter sido difícil para mim viver guardando esse segredo por tanto tempo. Que eles sabiam que existe um grande preconceito envolvendo qualquer desordem mental que levam as pessoas a terem um impulso de cometer algo e que eles iriam trabalhar para entender isso e poderem me apoiar de algum jeito à distância. Que eles ficavam tristes de eu morar no Brasil e saber que provavelmente não existem grupos de suporte para o meu problema que me ajudassem a gerenciar a minha doença em conjunto com a minha vivência na sociedade.

Gente, esse email foi muito importante para mim e eu fiquei impressionado com a resposta deles. Conseguir obter esse tipo de suporte e apoio de pessoas que eu não vejo a mais de 5 anos mas que mesmo assim mantiveram contato ao longo dos anos e que agora mostram que se importam de verdade comigo. O sentimento é indescritível, realmente não consigo descrever isso. Esse tipo de atitude realmente salva a minha vida. Nos momentos em que os meus pensamentos são ruins e que o suicídio parece ser a única saída saber que tem pessoas que te amam e que te apoiam fazem a diferença.

domingo, 25 de outubro de 2015

Bliss Redux

Oi,

Pelo nome do post já dá para entender que é novamente sobre algo inesperado mas que foi legal. Eu falei no último post, que tinha o nome de Bliss, sobre como foi legal dar uma saída na sexta-feira e ir para um barzinho com algumas amigas. Foi algo totalmente inesperado e acho que por isso a sensação de que foi tão bacana é tão forte.

Ontem, no sábado, aconteceu algo bem parecido! Um amigo meu, que inclusive vai testemunhar a meu favor no dia 27, me mandou uma mensagem me convidando para ir comer uma pizza com ele e a esposa dele. Somos amigos já faz algum tempo, mais de 10 anos, e sempre me dei bem tanto com ele quanto a esposa dele. Ele já havia vindo aqui em casa duas vezes desde que eu saí da cadeia mas a esposa dela ainda não tinha encontrado. Já havia falado com ela via telefone algumas vezes e sabia que ela estava tranquila em relação a mim. Com isso quero dizer que não estava me rejeitando ou surtando em relação ao que eu fiz. Claro que isso não quer dizer que ela concorda com nada do que eu fiz, mas ela entende o meu contexto e me apoia bastante para ir na psicóloga e no psiquiatra. Logo, ver ela pela primeira vez em alguns meses foi bem legal.

Se divertimos bastante, que nem antigamente (antes de ter todos estes problemas). Tomamos um vinho, comemos pizza e ficamos batendo papo sobre um monte de coisas, desde filmes até livros e etc. Claro, falamos também sobre a minha situação porque ela é advogada (especializada em trabalhista) mas de uma maneira bem legal. Gosto muito de ambos e respeito eles também. São pessoas bem legais e sérias, que ponderam bastante as coisas então sempre gostei de ouvir as opiniões deles sobre tudo. Agora, com a minha situação em um caos total, prezo bastante a opinião deles sobre como as coisas estão, em como eles veêm meu futuro, o julgamento e etc. No geral, posso dizer que foi uma experiência muito agradável. Chegamos lá por volta das 20h30m e saímos era quase 1h da manhã! Pizzaria que fomos é bem legal também, nunca havia ido lá e além de a comida ser muito gostosa o atendimento é 10! Em resumo, uma noite muito bacana mesmo!

Para quem estava a alguns dias tendo crises fortes de ansiedade e pavor, ver post Medo, ter logo em seguida ter tido dias tão legais é desconcertantes. Digo isto porque nunca imaginaria que eu teria a chance de sair dois dias seguidos sendo convidados por pessoas que eu gosto de uma maneira totalmente aleatória. Claro, imagino que estes meus amigos aproveitaram a chance de que iam sair e lembraram de mim (e sabendo de como eu devo estar me sentindo nessa semana que antecede o dia 27) e resolveram me convidar. Essas surpresas, por serem algo que eu realmente não esperava, me fizeram tão bem quanto a experiência de sair nos dois dias me fizeram.

Estava realmente me sentindo mal nessa semana e ter tido a chance, do nada, de espairecer e dar risada com algumas pessoas que eu adoro é incrível. Acho que estava me sentindo um pouco abandonado pelo mundo em geral (eu e as minhas piras de rejeição). Ter tido essas duas surpresas concomitantes foi além do que eu poderia imaginar de algo bom acontecendo comigo.  Me acalmaram a mente e principalmente me ajudaram a diminuir um pouco a ansiedade. Ela ainda está aqui, ainda sinto vontade de subir pelas paredes e arrancar os cabelos, mas sei que existem pessoas que se importam comigo e que estão por ai quando eu precisar.

Isto é algo que eu deveria saber já. Sim, várias pessoas sumiram da minha vida mas estas poucas boas pessoas ficaram. Não deveria duvidar de que elas estão me apoiando de verdade ou de que elas se importam mesmo comigo. Minha cabeça no entanto me faz ter algumas piras sobre como todo o mundo me abandonou e que eu estou sozinho para enfrentar tudo que está vindo. Acho que isso é muito derivado do fato de que eu me isolei de todos (minha família, meus amigos) por anos a fio guardando um segredo dentro de mim o qual não poderia contar para ninguém. Nunca pude confiar 100% em alguém, não por achar que essa pessoa era indigna de confiança mas porque eu acreditava que nunca poderia revelar esse segredo para ninguém.

É baseado nessa crença que eu me impedia de ir buscar ajuda profissional num psicólogo ou psiquiatra. Simplesmente não me sentia a vontade de relatar a ninguém o que eu sentia e pensava. Muito mais que isso não me sentia a vontade de relatar o que eu era (e sou ainda) e como isso afetou quem eu sou. Se eu tivesse tido a maturidade para ter dado esse passo antes talvez minha vida não estaria do jeito que está hoje. Possivelmente eu não teria ido para a prisão e não estaria no meu caminho de ir para lá novamente. Este é um dos maiores pontos positivos da minha prisão este ano, acredito eu.

Não precisei contar para ninguém meu segredo, ele foi escancarado a força para todo o mundo ver. Meu maior medo, que era ser descoberto pelo o que eu sou, foi concretizado. Da noite para o dia minha vida inteira caiu em pedaços. Perdi meu emprego, vários amigos e algumas pessoas da minha família. No entanto, isso resultou em várias coisas boas também. Pude ser honesto com as pessoas que eu amo e recebi apoio delas de volta. Pude procurar ajuda de uma maneira consciente. Tem dias que eu acho que não quero mais ir para a terapia porque descubro cada vez mais que eu não me conheço. Descubro coisas que não acho boas em relação a mim mesmo. Acho que não vou ter a força de vontade de mudar essas coisas ruins. Entretanto, persisto em continuar indo lá na terapia. Principalmente porque consigo perceber várias situações, algumas delas relatadas aqui em posts antigos, onde tive uma reação muito melhor do que teria antes de ser preso. Ver que todo esse esforço dá resultado me anima muito. Me da ânimo para continuar tentando e me esforçando.

Em resumo, o que eu mais percebo desta minha experiência toda deste ano é:

Existem lições que devem ser aprendidas do jeito difícil.

Como eu disse anteriormente eu poderia ter evitado muito dos meus problemas deste ano. Se eu tivesse sido um pouco mais aberto com os outros, um pouco mais maduro talvez eu não precisasse ter perdido tudo o que eu perdi. Talvez eu não precisasse perder alguns anos da minha vida na cadeia. A realidade, no entanto, é esta. Posso lamentar todas as chances que eu tive e não aproveitei e elas não irão voltar. No entanto, eu posso, e acredito que devo, aproveitar todas as chances que eu tenho na minha frente agora. Tentar fazer o melhor delas. Existe uma expressão no Japão, Ganbare!

 

Ela quer dizer, Se Esforçe! ou Força! ou Dê o melhor de si!  Basicamente, isto quer dizer que no final do dia os resultados que você vai ter em tudo dependem de você. Do seu esforço, da sua garra. Isso para mim tem tido um significado profundo. Somente irei melhorar se eu quiser melhorar. Somente irei me tornar uma pessoa melhor se eu quiser ser melhor. Depende do meu esforço e, claro, como diriam os Beatles: "With a little help from my friends!" .  A ajuda dos amigos tem acontecido e muito esses últimos dias!!!! 

sábado, 24 de outubro de 2015

Bliss

Oi,

Espero que todos estejam bem.

Ontem fiz algo inédito para mim nestes últimos meses. Sai com alguns amigos (sim, ainda sobraram alguns felizmente) e fomos em um barzinho. Não havia saído de casa para fazer algo assim desde que entrei em liberdade provisória. Simplesmente não me sentia a vontade de sair e de repente dar de cara com alguém que conhecia e que me odeia agora. Não sabia como seria a reação desta pessoa. Poderia passar simplesmente de fazer cara feia a fazer algum escândalo. Logo, mais pelo não que pelo sim, simplesmente não saia de casa.

Não tinha segurança nenhuma, minha auto estima estava bem baixa, e caso acontecesse algo assim não sabia como eu reagiria a tudo. Ás vezes tinha a impressão de que eu ficaria puto caso a pessoa falasse algo e temia que eu acabasse envolvido em alguma briga. Ás vezes tinha a impressão de que se a pessoa falasse algo eu simplesmente começaria a chorar histericamente e desabaria.

Entretanto, de uma maneira geral, todas as essas questões de auto estima tem ficado melhores (conforme eu já havia comentado anteriormente) e me sinto melhor em relação a mim mesmo. Claro, ainda percebo que minha auto confiança e auto estima estão baixos mas pelo menos consigo reconhecer isto agora. Este simples fato, de conseguir me analisar e reconhecer isto, aliado com o fato de que tenho tentando "me resolver" (no sentido, conversar mais comigo mesmo, refletir mais sobre mim mesmo) tem me ajudado e navegar melhor por estas incertezas. Ainda não é perfeito esse gerenciamento mas é muito melhor do que ele era antigamente.

Então me senti confiante de ir no barzinho com essas minhas amigas para espairecer a cabeça um pouco. Com a audiência chegando agora no dia 27 eu senti que eu precisava fazer algo para aliviar a tensão um pouco. Logo, tomar umas cervejas e bater um pouco de papo sobre qualquer besteira me pareceu uma ótima solução. O encontro foi bem legal, cheguei lá em torno das 18h30m e fiquei até 23h30m. Nunca fui muito de sair para ir em algum bar, sempre preferi fazer algo em casa mesmo. Logo, nunca fui de ficar muito tempo no bar mas só essas poucas horas que eu fiquei já me levantaram o ânimo de uma maneira impressionante.  Fiquei muito feliz de poder ter feito algo normal.

Entretanto, percebi após pensar um pouco que um dos maiores motivadores para ter ido ao bar foi a questão da audiência do dia 27. Apesar de ter uma mísera chance de 1 ou 2% de ir preso novamente nesta audiência é somente nisso que eu consigo pensar ás vezes. Tenho conseguido gerenciar melhor essa ansiedade e expectativas descomunais em relação a um risco tão pequeno mas nem sempre consigo fazer um controle adequado. Logo, essa ida ao bar me pareceu uma certa despedida aos meus amigos. Uma última chance de ver eles antes de ser preso por vários anos.

Percebi isso porque eu havia tentando marcar um churrasco com um outro grupo de amigos para este sábado que infelizmente não rolou. Quando eles me avisaram, via e-mail, que não ia rolar, porque tinham outros compromissos, eu respondi dizendo que entendia e que poderíamos marcar para o próximo final de semana; internamente, entretanto, eu fiquei bem mal e triste e principalmente angustiado. Esses meus amigos vão depor a meu favor, como testemunhas de carácter, na terça feira agora e somente vou vê-los nesse dia. Senti que essa minha angústia era devido a achar que a última vez que eu veria eles seria na audiência a medida que eu fosse algemado e colocado numa viatura para ser despachado para algum presídio. Bizarro, eu sei, mas era como eu me sentia.

Uma surpresa inesperada nessa ida ao bar foi que uma pessoa que eu conhecia anteriormente, mas não chamava de amigo e sim de colega de trabalho, apareceu junto. Esse cara havia me mandado umas mensagens após eu ter sido solto e elas fizeram um bem enorme para mim. Ele me falou que não queria saber o que havia acontecido e nem se era verdade ou não. Ele estava interessado em saber como eu estava, se eu precisava de ajuda ou de alguém para conversar que era para contar com ele. Que ele estava com a cabeça aberta, não queria fazer julgamento de ninguém mas que gostava muito de mim e por isso achava que eu merecia pelo menos uma chance. Nunca iria esperar isso de alguém como ele. Nós sempre se demos bem no trabalho, inclusive até em alguns churrasco da empresa e etc, mas como eu disse acho que nunca poderia ter chamado ele de amigo. Entretanto, aqui estava ele, alguém que mal me conhecia me dando um apoio fundamental para que eu soubesse que não estava sozinho, que existiam pessoas que queriam me ajudar.

Teve pessoas que eu considerava mais que amigos, que eu considerava como se fossem irmãos, que me abandonaram. Algumas destas pessoas que inclusive mandaram avisar, via amigos em comum que eu ainda tenho, que eu estava morto para eles. Destas pessoas eu esperava apoio e não tive. Acho que isto, mais até dos problemas que estou tendo com meu irmão de verdade,  foi um dos principais fatores que me quebrou ao meio. Minha auto confiança e minha auto estima, após ser rejeitado por estas pessoas, que eu considerava tanto, simplesmente estilhaçaram. Pensava que eu deveria realmente ser um monstro, um merda, para que até pessoas que eu conhecia a mais de 10 anos, pessoas que eu chamava de irmão e não de maneira leviana, estarem me abandonado. No entanto, aqui estava um exemplo de um cara que eu nem considerava meu amigo me dando uma super força, um apoio que foi fundamental. São nestas surpresas agradáveis que eu tento me focar e não nas desagradáveis. Pena que nem sempre isso é fácil de fazer.

Mais felizmente esse cara foi ontem no bar e pudemos trocar algumas palavras rápidas. Percebi que ele, assim como já havia dito anteriormente, não queria saber dos detalhes do que havia acontecido e nem nada do tipo. Percebi que ele estava realmente interessado em saber como eu tava, se estava procurando ajuda, se estava tomando remédios, se eu estava bem de verdade. Falou novamente que qualquer coisa era para eu dar um toque nele, no que ele pudesse ajudar ele tentaria. Se fosse bater um papo, tomar uma cerveja ou o que fosse. Cara, realmente existem pessoas boas no mundo. Estes meus poucos amigos que restaram mais essas surpresas que eu tenho de algumas pessoas me deixam muito feliz. Não consigo expressar em palavras como é poder escutar isso de uma pessoa. Saber que a pessoa genuinamente está interessado no teu bem estar, que ela não concorda com o que você fez mas entende que todos somos passíveis de erros e que temos que tentar sempre lidar com as consequências dos erros da melhor maneira possível. Novamente, cara, isso é fantástico!


PS:


O título deste post ia ser Incerteza. Incerteza porque quando eu comecei a escrever ia ser sobre que apesar de ter saído na sexta-feira e ter ficado melhor de ânimo hoje eu estava novamente angustiado e incerto sobre o meu futuro. Ia falar novamente que eu estava pirando e me sentindo triste e ansioso e uma série de outras coisas. Novamente, ao começar a escrever o post e escolhendo falar da parte boa (que foi ter saído) e me foquei mais nessa parte do que na parte ruim. Ter relembrado sobre ontem à noite e sobre essa pessoa que eu encontrei me fizeram, temporariamente, esquecer das coisas ruins que eu estava sentindo.

Após escrever o post inteiro acima, parei e reli ele algumas vezes. Tenho mania de fazer isso com todos os posts porque tento imaginar como uma pessoa estranha deve se sentir e pensar ao ler tudo isso que eu estou escrevendo. A medida que eu fui lendo e relendo eu percebi que eu estava muito feliz em poder contar tudo isso que eu contei. Muito feliz por ter passado por essa experiência. Sim, ainda estava me sentindo triste, angustiado, inseguro, incerto sobre o futuro. Entretanto, a felicidade e alegria que eu sinto é muito maior. Então, ao invés de focar na parte ruim eu vou focar na parte boa do que eu estou sentindo.

Entretanto, isso não significa que eu vou fingir que a parte ruim não está lá. Não vou enterrar esses meus sentimentos que nem eu sempre fiz ao longo da minha vida. Tenho que reconhecer que eles estão aqui dentro de mim e que eu preciso lidar com eles. Por isso que eu escrevi esse PS, meio longo, para dizer que além da alegria que eu estou sentindo também tem sentimentos ruins. Eles estão aqui e estão sendo gerenciados por mim. A existência deles dentro da minha cabeça me obrigam a honrá-los tanto quanto os sentimentos bons.