quarta-feira, 14 de setembro de 2016
segunda-feira, 8 de agosto de 2016
Sobre suicídio
terça-feira, 26 de julho de 2016
Sobre Depressão
quinta-feira, 21 de abril de 2016
Às vezes ... | Sometimes ...
Às vezes todos nós esmorecemos. Perdemos o foco nas razões pelas quais devemos continuar vivendo. Sentimos que a nossa vida não resultará em nada. Ou pior, que resultará somente em algo ruim. Para pessoas que estão passando por um período difícil de suas vidas isto é particularmente fácil de acontecer. Às vezes, o suicídio parece uma alternativa viável, fácil e rápida de resolver todos os problemas.
quinta-feira, 10 de março de 2016
Falta de vontade de viver
Primeiro, calma! Não estou suicida. Estou simplesmente completamente exausto. Emocionalmente e racionalmente e fisicamente. Nesta última semana tenho sentido uma falta de vontade de continuar vivendo. De continuar lutando e tentando manter minha cabeça acima do nível da água. Tenho sentido cada vez mais a vontade de simplesmente deixar a correnteza me levar.
sábado, 13 de fevereiro de 2016
Uma noticia boa e Uma ruim
Começando pela notícia boa :) Eu tirei minha tornozeleira eletrônica ontem!!! Meio atrasado a notícia mas ela é importante de qualquer jeito. Quando estava tentando conversar com o pessoal do DEPEN para ver o procedimento de retirada acabei mandando uma mensagem para o fale conosco deles reclamando da dificuldade em arrumar informações precisas.
Isto acabou chegando num escalão mais acima que acabou determinando que o pessoa do monitoramente verificasse meu caso e desse um jeito. Resultado, existe uma portaria que diz que é ônus do Juíz pedir a extensão. Na falta da mesma eu não posso ser prejudicada e ficar com a tornozeleira logo eles removeram. O cara me ligou as 5 da tarde perguntando se eu podia ir as 7 da noite para tirar. Claro que sim!!! Logo, estou 1 dia livre da tornozeleira.
A notícia ruim é que o Juíz pegou meu caso para analisar e dar a sentença. Não é exatamente uma notícia ruim afinal isso iria acontecer de qualquer jeito. Entretanto significa que meu caso está andando e logo logo devo saber meu destino.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Quando tudo da errado
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
Audaciosamente indo onde eu nunca fui
domingo, 17 de janeiro de 2016
Stasis
Muito tempo desde a última postagem, eu sei. Tenho perdido um pouco do pique para ficar atualizando as minhas atividades online ultimamente. Isso se refere tanto a este blog, quanto ao livro que eu já comentei e mesmo a comunidade virtual da qual faço parte.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
Aniversário
Conforme eu havia mencionado no post anterior eu estive um pouco deprimido neste último dia 7 de Dezembro. Nesta data foi o primeiro "aniversário" do dia em que eu cometi o meu crime. A síndrome do "aniversário" é algo que tem sido reconhecido, sob diferentes formas, por médicos e psicólogos no mundo todo. Todos passamos por eventos traumáticos em nossas vidas e temos a tendência de ligar o dia em que este evento ocorreu com nossos sentimentos de maneira que quando a mesma data acontece no próximo ano sentimos de volta as mesmas coisas.
Isto acontece, por exemplo, com o aniversário de morte de uma determinada pessoa que faleceu. Com o dia em que você recebeu uma notícia terrível. Por exemplo, provavelmente acontecerá com o pessoal de Mariana, e das cidades em volta, que irão se lembrar dessa tragédia para o resto das suas vidas, mas provavelmente se sentirão piores nos aniversários da tragédia. Nós, como seres humanos, temos a tendência de darmos mais atenção para eventos ruins do que para eventos bons. Temos a tendência de lembrarmos das coisas ruins e esquecer das coisas boas. Claro, todos nos lembramos do dia em que algo ruim aconteceu a anos atrás, mas não nos lembramos das inúmeras coisas boas que nos acontecem todo dia. A pessoa que te dá uma brecha no trânsito para você mudar de pista, alguém que para o carro para você cruzar a rua, alguém que abre a porta para você quando suas mãos estão ocupadas e etc. Estas pequenas coisas boas se juntam, no final do dia, e te dão a sensação de que o dia foi bom. Entretanto, uma coisa ruim é o suficiente para estragar o dia de qualquer um, se deixarmos.
De qualquer maneira, a razão principal de ter ficado ruim no dia 7 foi porque eu não conseguia parar de pensar no que eu havia feito e na vítima. A medida em que eu tenho feito terapia minha mente tem se voltado mais e mais para mim mesmo e tentado fazer sentido de quem eu sou. Recentemente eu consegui aceitar quem eu era, que eu tinha várias doenças que em conjunto me fizeram fazer o que eu fiz; Não uso estas doenças como desculpa porque sei que, apesar de tudo isso, eu deveria ter me segurado e não ter feito o que eu fiz. Conforme eu relatei no post anterior encontrei um lugar online com outras pessoas com a mesma doença que a minha. Conversando com eles percebi como, de suas próprias maneiras, eles encontraram jeitos para impedir que eles cedessem as suas tentações e impulsos. Enquanto que eu não consegui fazer isso. Então eu sei que existem pessoas com o mesmo problema que conseguem se controlar, logo o que eu fiz não é desculpável por causa disso.
A terapia tem me ajudado principalmente neste aspecto. Eu tenho aprendido mais sobre mim mesmo e como eu funciono. Tenho tido que enfrentar verdades incômodas sobre mim neste processo. Entretanto também tenho tido a chance de aprender como eu sou e planejar como eu quero ser. Essa característica, de olhar para o futuro e almejar algo melhor, tem sido fundamental na terapia. Com todo esse trabalho psicológico que eu tenho feito tem ficado cada vez mais claro a enormidade do que eu fiz. Da gravidade do crime que eu cometi e pelo o qual eu tenho que pagar. E tudo isto retornou, com a força de uma avalanche, na minha cabeça no dia 7.
Essa avalanche de sentimentos e pensamentos não era boa. Todos os meus pensamentos, direcionados a mim mesmo, eram agressivos. Eu pensava que eu era um monstro, uma pessoa horrível. Talvez a pior pessoa a jamais ter pisado na superfície do planeta Terra. De que não deveria ser permitido que eu respirasse por mais um segundo. Que a única coisa lógica a ser feito era me matar. Que apesar de que isto fosse trazer um sofrimento a curto prazo para a minha família e amigos seria melhor a longo prazo. Pensava como era possível que eu tivesse feito algo com a vitima mesmo vendo ela chorando. Mesmo quando eu percebi o exato momento em que ela entendeu o que iria acontecer com ela e soltou um lamento tão terrível e longo que me corta o coração só de lembrar.
Pouco a pouco, a medida que o tempo foi passando, eu fui me acalmando. Conversei com a minha mãe sobre como eu estava me sentindo mal e ela passou mais de 1 hora sentada ao meu lado na cama enquanto eu estava deitado e chorando. Minha mãe é partidária da máxima de "Se você não pensar sobre algo este algo não pode te afetar (ou talvez nem existir)". Não é a toa que eu aprendi a guardar os meus sentimentos ao invés de lidar com eles. Ela começou a falar comigo sobre uma série de assuntos banais (atualizações de Facebook de Fulano, A Fazenda, Masterchef) e é impressionante a habilidade que ela tem de fazer estes assuntos anêmicos virarem conversas longas. Quando eu percebi que ela estava animada e que iria continuar por um bom tempo eu comecei a dar risada. Uma risada que chegou a virar gargalhada e que então me fez doer a barriga. Ela me olhou como se eu estivesse louco e começou a dar risada também. Mães tem um jeito especial de fazer os filhos se sentirem bem.
Conforme o dia foi andando consegui começar a racionalizar os meus sentimentos. Não ignorei eles, aceitei que estivesse me sentindo mal mas comecei a gerenciar eles. Me permiti me sentir mal mas também comecei a me questionar sobre o que eu faria com o que eu estava sentindo. Novamente comecei a pensar na vítima e como eu admirava a força dela. De ter ido a polícia. Como ela estava lidando com as coisas. Novamente me senti um covarde em comparação mas firmei meu compromisso de me igualar a ela um dia. Nem que fosse à metade da coragem dela mas eu iria. Eu iria enfrentar a cadeia, fazer terapia e garantir que aquilo não voltasse a acontecer, tomar os remédios que eu tivesse que tomar. Também firmei minha resolução de melhorar quem eu sou. Me matar é a opção fácil, sem trabalho. Apesar disso, deixo claro que isto é algo que eu disse para mim mesmo, para me forçar a acreditar que existe um futuro e que eu devo trabalhar em direção a ele, não importa quão difícil isto seja.
Me falaram à um tempo atrás que suicídio é um ato egoísta. Respondi que sim, é. O suicida acredita firmemente que sua situação é irreversível e incorrigível logo se matar é a única opção. Um suicida não pensa nos outros, somente em si porque sua angústia leve a pessoa a pensar somente em si. Esta é a razão pela qual depressão é tão difícil de combater. Ela exige que a pessoa pare de se focar um pouco em si mesmo, e na situação difícil que está vivendo, e comece a olhar ao seu redor e para o seu futuro. Isto é muito difícil quando você está em uma situação difícil. Lembram do começo do post? Que prestamos mais atenção no ruim que no bom? Então, é bem por aí. Por isso que é muito importante que quando uma pessoa se demonstra suicida (tendo pensamentos suicidas) que nunca se diga que isto é covardia ou besteira. Vejam, a pessoa tem a crença firme que provavelmente não vale muita coisa e que sua situação é difícil e sem resolução. Dizer que isto é um ato covarde ou besteira só reafirma a opinião ruim dessa pessoa sobre si mesma. Ao fazer isto, mesmo tendo-se a melhor intenção do mundo, é empurrar esta pessoa cada vez mais para o caminho de se matar.
De qualquer maneira, eu consegui me recuperar da depressão o suficiente para conseguir me segurar emocionalmente. Não é fácil isto. Também decidi usar essa memória, do sofrimento da minha vítima, como um lembrete para a próxima vez que eu me sentir tentado a fazer algo errado. Esta tentação não ocorreu novamente, pelo menos não no mesmo grau de intensidade. Nas vezes em que ocorreu eu consegui, utilizando as ferramentas que eu aprendi na terapia, me controlar. Inclusive, desde que eu me aceitei eu tenho percebido que isto se tornou mais fácil. Admitir para mim mesmo que eu tenho um problema e me aceitar me ajudaram a entender que o que eu sinto. Apesar de o que eu sentir não ser errado, desde que sejam somente fantasias, o que é errado é quando isto se transforma em ação. Logo, pensamentos ruins na cabeça todos temos. Xingar e pensar que você quer matar o babaca que te fechou no trânsito é uma coisa. Perseguir o carro do babaca e realmente matar ele é crime. A mesma analogia se aplica a minha doença. Sentir um atração é uma coisa. Tomar uma ação para satisfazer a atração não é. Esta lição foi difícil de aprender mas foi aprendida. Pena que necessitou eu ter machucado alguém, ter acabado com a minha e ir preso para aprendê-la.
terça-feira, 24 de novembro de 2015
Atraso 2
Outra vez com dois posts no mesmo dia. Não tenho por hábito ter material mental suficiente para escrever dois posts no mesmo dia mas como estou a algum tempo sem escrever acredito que as coisas acabaram por acumular dentro de mim. Claro, tenho tentado manter uma conversa comigo mesmo de maneira que eu não reprima nada dentro de mim entretanto ainda não tenho um bom controle sobre isso e a minha tendência natural é simplesmente guardar as coisas.
Estava falando no último post que passei por um período bem ruim após ter sido obrigado a usar a tornozeleira. Falei bastante sobre como estava me sentindo em relação a isso neste post aqui. Após isso tive uma sessão com a psicóloga na qual eu basicamente contei tudo que estava nesse post que acabei de linkar mais acima. Falei para ela que estava me sentindo muito mal, muito triste e principalmente sem ânimo e sem esperança de que as coisas fossem melhorar. Inclusive descrevi um cenário para ela que, se acontecesse, eu preferia me matar do que ter enfrentar isso. Disse para ela que esta decisão de terminar minha própria vida, neste cenário, não era baseado em sentimentos e sim em lógica, ou seja algo racional. Ela então me falou que sim, esse cenário é válido e possível de acontecer. Que eu tenho um grande problema por ser extremamente racional em conjunto com ser extremamente ansioso já que eu acabo projetando cenários horríveis para o meu futuro e perco foco no presente. Que eu tenho que aprender a levar a minha vida um dia de cada vez e que eu não posso me paralisar no agora por algo que pode vir a acontecer no amanhã. No final da sessão ela também me recomendou ir buscar ajuda com o psiquiatra para tomar alguma medicação que me ajudasse a lidar com a minha depressão já que ela estava muito profunda.
Conforme mencionei no último post isto me assustou muito. Em parte porque significaria tomar mais remédios para a cabeça e eu tenho um certo preconceito com isso. A outra razão que me assustou foi ela ter sugerido eu ir buscar essa opção de medicação. Ela como psicóloga já teve que lidar com outros pacientes que tinham depressão e imagino que muitos não necessitaram de intervenção medicamentosa para superar seus problemas. Infelizmente para determinadas pessoas em determinadas situações essa opção de remédios é necessária. Basicamente, ela me disse que acreditava que isso era o meu caso. Esta declaração me fez perceber o quanto sem ânimo eu estava, o quanto eu estava lentamente desistindo da minha vida no sentido de parar com ela por inteiro. Isto me fez ter ânimo para tentar, mais uma vez, dar a volta por cima do que eu estava passando e brigar por mim mesmo, pela minha saúde mental, sem que eu precisasse de remédios. Com isso pude dizer para ela na sessão seguinte que eu tinha voltado a me sentir melhor mas que estava de vigília de mim mesmo para que, caso eu me sentisse mal novamente, eu buscasse ajuda psiquiátrica em conjunto com remédios.
Essa minha melhora durou poucos dias. No mesmo dia dessa sessão ela me entregou o laudo psicológica dela sobre mim e sobre como a terapia tem sido útil na parte de controle de impulsos. De maneira sucinta ela escreveu o relatório condensando mais de 22 sessões de terapia e mesmo assim evitando de entrar em muitos detalhes sobre algumas partes. Entretanto, apesar de clara, este laudo dela joga uma luz não tão favorável em minha pessoa. Basicamente ela relata que sim, tenho problemas de auto estima e de controle de impulsos além de uma separação grande entre o emocional e o racional que facilita a minha natureza impulsiva. No final, na conclusão, ela menciona que no entanto eu tenho demonstrado a capacidade de questionar minhas próprias crenças e pensamentos de maneira a reconstruí-las de uma maneira melhor e que tenho a possibilidade de me controlar.
Um outro detalhe que ela colocou, erroneamente e que foi corrigido posteriormente, é de que houveram pessoas convidadas a participar da minha terapia e que não quiseram comparecer. Eu havia mencionado para ela que achava que os meus pais necessitam fazer terapia também já que eles estavam, e estão, muito abalados com tudo que tem acontecido. Ela, no entanto, entendeu que eu queria que os meus pais fizessem parte da minha terapia e que eu os havia convidados mas que eles haviam se recusado a participar. Meus pais quando leram essa parte do relatório basicamente surtaram. Eles me perguntaram sucessivamente se a psicóloga havia convidado eles para participar e se eu havia dito que não no nome deles, sem nem mesmo perguntar para eles. Me acusaram de mentir para eles sobre isso e, apesar de ter tentando manter a calma e explicar para eles que devia ser um mal entendido já que nem eu mesmo havia compreendido isso que havia sido escrito, eu acabei perdendo a calma e brigando com eles. Isto me levou a um estado de nervos muito grande e minha ansiedade foi no teto.
Conversei com a psicóloga via WhatsApp e pedi para ela corrigir isso mas fiz esse pedido de uma maneira bem chata e pentelha. Quando estou num acesso de nervoso eu sou uma pessoa beeem chata mesmo, acredito que seja meus ataques de mania devido ao meu espectro bipolar. Nisso, no dia seguinte tive uma reunião com os meus advogados para a gente conversar sobre o relatório tanto do psiquiatra quanto da psicóloga. O do psiquiatra foi ok mas eles caíram de pau no da psicóloga. Tenho que concordar com eles, e já disse isso para a psicóloga, que infelizmente o juiz que solicitou o relatório não será parcial ao ler ele. Apesar da conclusão me redimir, e jogar ao meu favor, o conteúdo em si do relatório faria com que o juiz decretasse minha prisão preventiva novamente. A tornozeleira foi instituída já que existe a possibilidade de que eu venha a fazer algo novamente e que não era justo requisitar a prisão preventiva sendo que eu não havia cometido nenhum crime novo. Entretanto, o relatório da psicóloga é incisivo ao apontar minhas "falhas" e que isto seria interpretado pelo juiz como motivo suficiente, e entregue pela minha própria defesa, para me prender. Seria possível que eu fosse liberado novamente, via habeas corpus, já que a possibilidade de um crime não justifica uma prisão mas isto tomaria novamente alguns meses e eu teria que passar o final de ano (Natal e Ano Novo) na cadeia.
Mais essa notícia na minha cabeça me fez cair ainda mais em uma angústia e desânimo profundos. Me sentia muito mal mesmo e novamente comecei a contemplar pensamentos ruins. Ao conversar sobre tudo isso que passou com a psicóloga na sessão passada falei para ela que, apesar de ter me sentido muito mal novamente, que eu havia conseguido com a ajuda dos meus pais me reerguer novamente. Entretanto, falei que havia percebido como a minha depressão está muito aflorada e que não é necessário muita coisa para me fazer entrar em um estado pior da mesma. Falei então que na próxima consulta com o psiquiatra irei pedir para que ele me receite algo que me ajude com a depressão porque acredito que ficar neste estado tão sensível de ânimo e humor não é bom para mim a longo prazo. Tenho possivelmente ainda alguns anos de apelação da sentença e ficar estes anos desta maneira não é viável.
Basicamente, estes foram os eventos maiores da últimas semanas. Irei tentar voltar a postar mais aqui no blog para evitar que ele fique jogado às moscas. Escrever aqui, mesmo que para leitores anônimos, me faz bem porque me ajuda a tirar de dentro de mim muita coisa que eu penso e sinto. Já percebi que sinto uma facilidade muito maior para expor meus sentimentos de uma maneira escrita do que de uma maneira falada. Acho que isto tem muito a ver com o fato de que aqui, apesar de saber que existem pessoas lendo, não existe uma pessoa me vendo e ouvindo. Ainda sou muito introvertido por natureza e anos e anos de hábito de guardar tudo o que eu sinto me dificultam expor isto de uma maneira mais clara quando existe uma audiência. Aqui existe um distanciamento entre a minha pessoa e seja quem for que esteja lendo. Essa experiência é um tanto esquisita, para ser honesto, mas eu particularmente gosto. Gostaria entretanto que alguém algum dia postasse um comentário, nem que seja para falar mal de mim ou do que escrevo. Por mais estranho que seja, apesar de achar bom o distanciamento natural que existe entre o autor e o leitor gostaria que houvesse uma comunicação bi-direcional aqui, ou seja, houvesse um contato leitor -> autor um dia. :)
Atraso
Oi,
Faz algum tempo desde a última vez que eu postei aqui. Eu meio que perdi um pouco do pique para escrever aqui sobre tudo que estava acontecendo.
Originalmente eu iria dizer que a razão de eu não ter entrado numa depressão maior foi algo que a minha psicóloga tinha dito. Quando eu falei para ela como estava me sentindo cansado mentalmente e que estava cada vez mais sentindo uma falta de vontade de continuar vivendo (academia, terapia, etc) ela comentou que talvez eu deveria marcar uma consulta com o psiquiatra. A razão disso era porque ela acreditava que eu estava entrando em uma depressão muito profunda e que talvez fosse necessário tomar medicação para evitar que eu ficasse mais depressivo e cometesse uma besteira.
Em uma das sessões que eu tive com ela eu havia comentando que eu não gosto de tomar remédios para a cabeça. Sempre tive um preconceito com isso relacionado com o fato de que eu acredito que a minha melhor qualidade é a minha inteligência. Logo, tomar algo que mexa com o meu cérebro me deixa muito apreensivo e com medo. Sempre imagino que isso de alguma maneira irá afetar minha capacidade intelectual.
Ao mencionar a questão de tomar mais remédios para cabeça, além do que eu já estou tomando, a psicóloga me deu um susto duplo. Além de me assustar pelo fato de que não quero tomar mais remédios o fato de que ela como psicóloga, que já teve outros pacientes com depressão, acreditar que eu estava em um ponto que remédios eram necessários me obrigou a encarar a minha realidade. Essa realidade dizia que eu estava me deixando entrar em uma depressão severa e que eu poderia estar lutando para evitar isso mas não estava mais com vontade de fazer isso. Isso me fez tomar consciência de que eu precisava arrumar forças para continuar lutando. Não só pelo fato de não ter que tomar remédios mas pelo fato que mesmo com remédios se eu não tiver a vontade de continuar minha vida vai ser muito difícil.
Tomada essa decisão, me senti melhor e descrevi isso para ela na sessão seguinte (a de duas semana atrás). Falei que estava me sentindo melhor e que tinha recuperado parte do ânimo para continuar lutando. Que eu não estava bem e que isso era verdade desde q eu sai da cadeia, mas que estava tentando voltar ao meu normal (que agora é um estado ligeiramente depressivo).
Isso durou por alguns dias e dai tive outra recaída, decorrente de outro evento que eu vou relatar num outro post. Devido a isso eu percebi como meu humor está sensível e volátil. Como estou suscetível a influências externas de uma maneira que eu nunca fui. Sempre fui uma pessoa assertiva, beirando o agressivo em certas situações, mas com confiança em mim mesmo beirando a arrogância.
Agora no entanto me tornei extremamente inseguro sobre mim mesmo, minhas opiniões, e me tornei muito submisso aos outros. Isso abre um buraco em minhas defesas mentais e permite que eventos externos me afetem diretamente. Como estou já depressivo esses evento externos tendem a me trazer mais para baixo ainda.
Devido a isso decidi que irei conversar com o psiquiatra e pedir para ele me receitar anti depressivos. Preciso de ajuda para me estabilizar e evitar que eu fique toda hora caindo em uma depressão mais profunda.