Acredito que uma das maiores erroneidades em relação aos pedófilos é que todos são homens, de meia idade e acima, e que todos sentem atração por crianças por livre e espontânea vontade. Ou seja, o "perfil pedófilo" como isto é comumente referido na Internet. Claro, este "perfil" tem algumas outras características mas gostaria de focar mais na questão da idade e sexo neste blog. Gostaria na verdade de falar sobre os pedófilos adolescentes.
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quarta-feira, 14 de setembro de 2016
quarta-feira, 13 de julho de 2016
Análise de Filme: O Lenhador (2004)
Minha psicóloga me passou uma tarefa: Assistir o filme O Lenhador (2004). Um filme relativamente curto, em torno de 1h30m, mas que trata de um tópico extremamente complexo e delicado: A reinserção de um ofensor sexual na sociedade após sair da prisão e as dificuldades inerentes a isso. Além de mostrar se é possível que um ofensor entenda seus erros e mude sua vida.
terça-feira, 5 de abril de 2016
Sexualização das crianças
As usual policy the english version is located at the bottom.
Eu vi recentemente um artigo do Brett Matthews intitulado 'A menina vestindo Daisy Dukes'. Para contexto dos brasileiros Daisy Dukes são shorts bem curtinhos apelidados dessa forma por serem o tipo de roupa que a Daisy Duke usava em um série antiga chamado Os Gatões. O Ender depois criou um pequeno artigo comentado sobre o assunto de sexualização com referência a esse artigo do Brett.
Eu vi recentemente um artigo do Brett Matthews intitulado 'A menina vestindo Daisy Dukes'. Para contexto dos brasileiros Daisy Dukes são shorts bem curtinhos apelidados dessa forma por serem o tipo de roupa que a Daisy Duke usava em um série antiga chamado Os Gatões. O Ender depois criou um pequeno artigo comentado sobre o assunto de sexualização com referência a esse artigo do Brett.
domingo, 3 de abril de 2016
E se fosse seu filho/irmãozinho/sobrinho/primo/afilhado ?
(English version at the bottom)
Estava conversando hoje com uma pessoa no Twitter sobre pedofilia. Uso o termo conversa por educação. Afinal, o termo conversar envolve ambas os lados tentarem escutar uns aos outros. De qualquer maneira a uma certa altura, em vista das opiniões extremamente polarizadas e fortes em termos de agressão verbal desta pessoa, eu pensei no seguinte: E se fosse seu filho/irmãozinho/sobrinho/primo/afilhado ?
Estava conversando hoje com uma pessoa no Twitter sobre pedofilia. Uso o termo conversa por educação. Afinal, o termo conversar envolve ambas os lados tentarem escutar uns aos outros. De qualquer maneira a uma certa altura, em vista das opiniões extremamente polarizadas e fortes em termos de agressão verbal desta pessoa, eu pensei no seguinte: E se fosse seu filho/irmãozinho/sobrinho/primo/afilhado ?
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
Audaciosamente indo onde eu nunca fui
Unknown
02:49:00
alegria
,
angustia
,
ansiedade
,
auto-confiança
,
auto-estima
,
catarse
,
depressão
,
desabafo
,
julgamento
,
medo
,
mudança de atitude
,
mudanças
,
prisão
No comments
O título deste post indica muita coisa sobre o que estará escrito. Sim, uma tradução livre, adaptada, da famosa frase do Jornada nas Estrelas. Parte do texto que descreve a missão da Enterprise. Na série simboliza a idéia de que a nave explora novos sistemas no Universo. Significa avançar em direção ao desconhecido de coração aberto. Isto é o que eu decidi fazer com a minha própria vida.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
Aniversário
Oi,
Conforme eu havia mencionado no post anterior eu estive um pouco deprimido neste último dia 7 de Dezembro. Nesta data foi o primeiro "aniversário" do dia em que eu cometi o meu crime. A síndrome do "aniversário" é algo que tem sido reconhecido, sob diferentes formas, por médicos e psicólogos no mundo todo. Todos passamos por eventos traumáticos em nossas vidas e temos a tendência de ligar o dia em que este evento ocorreu com nossos sentimentos de maneira que quando a mesma data acontece no próximo ano sentimos de volta as mesmas coisas.
Isto acontece, por exemplo, com o aniversário de morte de uma determinada pessoa que faleceu. Com o dia em que você recebeu uma notícia terrível. Por exemplo, provavelmente acontecerá com o pessoal de Mariana, e das cidades em volta, que irão se lembrar dessa tragédia para o resto das suas vidas, mas provavelmente se sentirão piores nos aniversários da tragédia. Nós, como seres humanos, temos a tendência de darmos mais atenção para eventos ruins do que para eventos bons. Temos a tendência de lembrarmos das coisas ruins e esquecer das coisas boas. Claro, todos nos lembramos do dia em que algo ruim aconteceu a anos atrás, mas não nos lembramos das inúmeras coisas boas que nos acontecem todo dia. A pessoa que te dá uma brecha no trânsito para você mudar de pista, alguém que para o carro para você cruzar a rua, alguém que abre a porta para você quando suas mãos estão ocupadas e etc. Estas pequenas coisas boas se juntam, no final do dia, e te dão a sensação de que o dia foi bom. Entretanto, uma coisa ruim é o suficiente para estragar o dia de qualquer um, se deixarmos.
De qualquer maneira, a razão principal de ter ficado ruim no dia 7 foi porque eu não conseguia parar de pensar no que eu havia feito e na vítima. A medida em que eu tenho feito terapia minha mente tem se voltado mais e mais para mim mesmo e tentado fazer sentido de quem eu sou. Recentemente eu consegui aceitar quem eu era, que eu tinha várias doenças que em conjunto me fizeram fazer o que eu fiz; Não uso estas doenças como desculpa porque sei que, apesar de tudo isso, eu deveria ter me segurado e não ter feito o que eu fiz. Conforme eu relatei no post anterior encontrei um lugar online com outras pessoas com a mesma doença que a minha. Conversando com eles percebi como, de suas próprias maneiras, eles encontraram jeitos para impedir que eles cedessem as suas tentações e impulsos. Enquanto que eu não consegui fazer isso. Então eu sei que existem pessoas com o mesmo problema que conseguem se controlar, logo o que eu fiz não é desculpável por causa disso.
A terapia tem me ajudado principalmente neste aspecto. Eu tenho aprendido mais sobre mim mesmo e como eu funciono. Tenho tido que enfrentar verdades incômodas sobre mim neste processo. Entretanto também tenho tido a chance de aprender como eu sou e planejar como eu quero ser. Essa característica, de olhar para o futuro e almejar algo melhor, tem sido fundamental na terapia. Com todo esse trabalho psicológico que eu tenho feito tem ficado cada vez mais claro a enormidade do que eu fiz. Da gravidade do crime que eu cometi e pelo o qual eu tenho que pagar. E tudo isto retornou, com a força de uma avalanche, na minha cabeça no dia 7.
Essa avalanche de sentimentos e pensamentos não era boa. Todos os meus pensamentos, direcionados a mim mesmo, eram agressivos. Eu pensava que eu era um monstro, uma pessoa horrível. Talvez a pior pessoa a jamais ter pisado na superfície do planeta Terra. De que não deveria ser permitido que eu respirasse por mais um segundo. Que a única coisa lógica a ser feito era me matar. Que apesar de que isto fosse trazer um sofrimento a curto prazo para a minha família e amigos seria melhor a longo prazo. Pensava como era possível que eu tivesse feito algo com a vitima mesmo vendo ela chorando. Mesmo quando eu percebi o exato momento em que ela entendeu o que iria acontecer com ela e soltou um lamento tão terrível e longo que me corta o coração só de lembrar.
Pouco a pouco, a medida que o tempo foi passando, eu fui me acalmando. Conversei com a minha mãe sobre como eu estava me sentindo mal e ela passou mais de 1 hora sentada ao meu lado na cama enquanto eu estava deitado e chorando. Minha mãe é partidária da máxima de "Se você não pensar sobre algo este algo não pode te afetar (ou talvez nem existir)". Não é a toa que eu aprendi a guardar os meus sentimentos ao invés de lidar com eles. Ela começou a falar comigo sobre uma série de assuntos banais (atualizações de Facebook de Fulano, A Fazenda, Masterchef) e é impressionante a habilidade que ela tem de fazer estes assuntos anêmicos virarem conversas longas. Quando eu percebi que ela estava animada e que iria continuar por um bom tempo eu comecei a dar risada. Uma risada que chegou a virar gargalhada e que então me fez doer a barriga. Ela me olhou como se eu estivesse louco e começou a dar risada também. Mães tem um jeito especial de fazer os filhos se sentirem bem.
Conforme o dia foi andando consegui começar a racionalizar os meus sentimentos. Não ignorei eles, aceitei que estivesse me sentindo mal mas comecei a gerenciar eles. Me permiti me sentir mal mas também comecei a me questionar sobre o que eu faria com o que eu estava sentindo. Novamente comecei a pensar na vítima e como eu admirava a força dela. De ter ido a polícia. Como ela estava lidando com as coisas. Novamente me senti um covarde em comparação mas firmei meu compromisso de me igualar a ela um dia. Nem que fosse à metade da coragem dela mas eu iria. Eu iria enfrentar a cadeia, fazer terapia e garantir que aquilo não voltasse a acontecer, tomar os remédios que eu tivesse que tomar. Também firmei minha resolução de melhorar quem eu sou. Me matar é a opção fácil, sem trabalho. Apesar disso, deixo claro que isto é algo que eu disse para mim mesmo, para me forçar a acreditar que existe um futuro e que eu devo trabalhar em direção a ele, não importa quão difícil isto seja.
Me falaram à um tempo atrás que suicídio é um ato egoísta. Respondi que sim, é. O suicida acredita firmemente que sua situação é irreversível e incorrigível logo se matar é a única opção. Um suicida não pensa nos outros, somente em si porque sua angústia leve a pessoa a pensar somente em si. Esta é a razão pela qual depressão é tão difícil de combater. Ela exige que a pessoa pare de se focar um pouco em si mesmo, e na situação difícil que está vivendo, e comece a olhar ao seu redor e para o seu futuro. Isto é muito difícil quando você está em uma situação difícil. Lembram do começo do post? Que prestamos mais atenção no ruim que no bom? Então, é bem por aí. Por isso que é muito importante que quando uma pessoa se demonstra suicida (tendo pensamentos suicidas) que nunca se diga que isto é covardia ou besteira. Vejam, a pessoa tem a crença firme que provavelmente não vale muita coisa e que sua situação é difícil e sem resolução. Dizer que isto é um ato covarde ou besteira só reafirma a opinião ruim dessa pessoa sobre si mesma. Ao fazer isto, mesmo tendo-se a melhor intenção do mundo, é empurrar esta pessoa cada vez mais para o caminho de se matar.
De qualquer maneira, eu consegui me recuperar da depressão o suficiente para conseguir me segurar emocionalmente. Não é fácil isto. Também decidi usar essa memória, do sofrimento da minha vítima, como um lembrete para a próxima vez que eu me sentir tentado a fazer algo errado. Esta tentação não ocorreu novamente, pelo menos não no mesmo grau de intensidade. Nas vezes em que ocorreu eu consegui, utilizando as ferramentas que eu aprendi na terapia, me controlar. Inclusive, desde que eu me aceitei eu tenho percebido que isto se tornou mais fácil. Admitir para mim mesmo que eu tenho um problema e me aceitar me ajudaram a entender que o que eu sinto. Apesar de o que eu sentir não ser errado, desde que sejam somente fantasias, o que é errado é quando isto se transforma em ação. Logo, pensamentos ruins na cabeça todos temos. Xingar e pensar que você quer matar o babaca que te fechou no trânsito é uma coisa. Perseguir o carro do babaca e realmente matar ele é crime. A mesma analogia se aplica a minha doença. Sentir um atração é uma coisa. Tomar uma ação para satisfazer a atração não é. Esta lição foi difícil de aprender mas foi aprendida. Pena que necessitou eu ter machucado alguém, ter acabado com a minha e ir preso para aprendê-la.
Conforme eu havia mencionado no post anterior eu estive um pouco deprimido neste último dia 7 de Dezembro. Nesta data foi o primeiro "aniversário" do dia em que eu cometi o meu crime. A síndrome do "aniversário" é algo que tem sido reconhecido, sob diferentes formas, por médicos e psicólogos no mundo todo. Todos passamos por eventos traumáticos em nossas vidas e temos a tendência de ligar o dia em que este evento ocorreu com nossos sentimentos de maneira que quando a mesma data acontece no próximo ano sentimos de volta as mesmas coisas.
Isto acontece, por exemplo, com o aniversário de morte de uma determinada pessoa que faleceu. Com o dia em que você recebeu uma notícia terrível. Por exemplo, provavelmente acontecerá com o pessoal de Mariana, e das cidades em volta, que irão se lembrar dessa tragédia para o resto das suas vidas, mas provavelmente se sentirão piores nos aniversários da tragédia. Nós, como seres humanos, temos a tendência de darmos mais atenção para eventos ruins do que para eventos bons. Temos a tendência de lembrarmos das coisas ruins e esquecer das coisas boas. Claro, todos nos lembramos do dia em que algo ruim aconteceu a anos atrás, mas não nos lembramos das inúmeras coisas boas que nos acontecem todo dia. A pessoa que te dá uma brecha no trânsito para você mudar de pista, alguém que para o carro para você cruzar a rua, alguém que abre a porta para você quando suas mãos estão ocupadas e etc. Estas pequenas coisas boas se juntam, no final do dia, e te dão a sensação de que o dia foi bom. Entretanto, uma coisa ruim é o suficiente para estragar o dia de qualquer um, se deixarmos.
De qualquer maneira, a razão principal de ter ficado ruim no dia 7 foi porque eu não conseguia parar de pensar no que eu havia feito e na vítima. A medida em que eu tenho feito terapia minha mente tem se voltado mais e mais para mim mesmo e tentado fazer sentido de quem eu sou. Recentemente eu consegui aceitar quem eu era, que eu tinha várias doenças que em conjunto me fizeram fazer o que eu fiz; Não uso estas doenças como desculpa porque sei que, apesar de tudo isso, eu deveria ter me segurado e não ter feito o que eu fiz. Conforme eu relatei no post anterior encontrei um lugar online com outras pessoas com a mesma doença que a minha. Conversando com eles percebi como, de suas próprias maneiras, eles encontraram jeitos para impedir que eles cedessem as suas tentações e impulsos. Enquanto que eu não consegui fazer isso. Então eu sei que existem pessoas com o mesmo problema que conseguem se controlar, logo o que eu fiz não é desculpável por causa disso.
A terapia tem me ajudado principalmente neste aspecto. Eu tenho aprendido mais sobre mim mesmo e como eu funciono. Tenho tido que enfrentar verdades incômodas sobre mim neste processo. Entretanto também tenho tido a chance de aprender como eu sou e planejar como eu quero ser. Essa característica, de olhar para o futuro e almejar algo melhor, tem sido fundamental na terapia. Com todo esse trabalho psicológico que eu tenho feito tem ficado cada vez mais claro a enormidade do que eu fiz. Da gravidade do crime que eu cometi e pelo o qual eu tenho que pagar. E tudo isto retornou, com a força de uma avalanche, na minha cabeça no dia 7.
Essa avalanche de sentimentos e pensamentos não era boa. Todos os meus pensamentos, direcionados a mim mesmo, eram agressivos. Eu pensava que eu era um monstro, uma pessoa horrível. Talvez a pior pessoa a jamais ter pisado na superfície do planeta Terra. De que não deveria ser permitido que eu respirasse por mais um segundo. Que a única coisa lógica a ser feito era me matar. Que apesar de que isto fosse trazer um sofrimento a curto prazo para a minha família e amigos seria melhor a longo prazo. Pensava como era possível que eu tivesse feito algo com a vitima mesmo vendo ela chorando. Mesmo quando eu percebi o exato momento em que ela entendeu o que iria acontecer com ela e soltou um lamento tão terrível e longo que me corta o coração só de lembrar.
Pouco a pouco, a medida que o tempo foi passando, eu fui me acalmando. Conversei com a minha mãe sobre como eu estava me sentindo mal e ela passou mais de 1 hora sentada ao meu lado na cama enquanto eu estava deitado e chorando. Minha mãe é partidária da máxima de "Se você não pensar sobre algo este algo não pode te afetar (ou talvez nem existir)". Não é a toa que eu aprendi a guardar os meus sentimentos ao invés de lidar com eles. Ela começou a falar comigo sobre uma série de assuntos banais (atualizações de Facebook de Fulano, A Fazenda, Masterchef) e é impressionante a habilidade que ela tem de fazer estes assuntos anêmicos virarem conversas longas. Quando eu percebi que ela estava animada e que iria continuar por um bom tempo eu comecei a dar risada. Uma risada que chegou a virar gargalhada e que então me fez doer a barriga. Ela me olhou como se eu estivesse louco e começou a dar risada também. Mães tem um jeito especial de fazer os filhos se sentirem bem.
Conforme o dia foi andando consegui começar a racionalizar os meus sentimentos. Não ignorei eles, aceitei que estivesse me sentindo mal mas comecei a gerenciar eles. Me permiti me sentir mal mas também comecei a me questionar sobre o que eu faria com o que eu estava sentindo. Novamente comecei a pensar na vítima e como eu admirava a força dela. De ter ido a polícia. Como ela estava lidando com as coisas. Novamente me senti um covarde em comparação mas firmei meu compromisso de me igualar a ela um dia. Nem que fosse à metade da coragem dela mas eu iria. Eu iria enfrentar a cadeia, fazer terapia e garantir que aquilo não voltasse a acontecer, tomar os remédios que eu tivesse que tomar. Também firmei minha resolução de melhorar quem eu sou. Me matar é a opção fácil, sem trabalho. Apesar disso, deixo claro que isto é algo que eu disse para mim mesmo, para me forçar a acreditar que existe um futuro e que eu devo trabalhar em direção a ele, não importa quão difícil isto seja.
Me falaram à um tempo atrás que suicídio é um ato egoísta. Respondi que sim, é. O suicida acredita firmemente que sua situação é irreversível e incorrigível logo se matar é a única opção. Um suicida não pensa nos outros, somente em si porque sua angústia leve a pessoa a pensar somente em si. Esta é a razão pela qual depressão é tão difícil de combater. Ela exige que a pessoa pare de se focar um pouco em si mesmo, e na situação difícil que está vivendo, e comece a olhar ao seu redor e para o seu futuro. Isto é muito difícil quando você está em uma situação difícil. Lembram do começo do post? Que prestamos mais atenção no ruim que no bom? Então, é bem por aí. Por isso que é muito importante que quando uma pessoa se demonstra suicida (tendo pensamentos suicidas) que nunca se diga que isto é covardia ou besteira. Vejam, a pessoa tem a crença firme que provavelmente não vale muita coisa e que sua situação é difícil e sem resolução. Dizer que isto é um ato covarde ou besteira só reafirma a opinião ruim dessa pessoa sobre si mesma. Ao fazer isto, mesmo tendo-se a melhor intenção do mundo, é empurrar esta pessoa cada vez mais para o caminho de se matar.
De qualquer maneira, eu consegui me recuperar da depressão o suficiente para conseguir me segurar emocionalmente. Não é fácil isto. Também decidi usar essa memória, do sofrimento da minha vítima, como um lembrete para a próxima vez que eu me sentir tentado a fazer algo errado. Esta tentação não ocorreu novamente, pelo menos não no mesmo grau de intensidade. Nas vezes em que ocorreu eu consegui, utilizando as ferramentas que eu aprendi na terapia, me controlar. Inclusive, desde que eu me aceitei eu tenho percebido que isto se tornou mais fácil. Admitir para mim mesmo que eu tenho um problema e me aceitar me ajudaram a entender que o que eu sinto. Apesar de o que eu sentir não ser errado, desde que sejam somente fantasias, o que é errado é quando isto se transforma em ação. Logo, pensamentos ruins na cabeça todos temos. Xingar e pensar que você quer matar o babaca que te fechou no trânsito é uma coisa. Perseguir o carro do babaca e realmente matar ele é crime. A mesma analogia se aplica a minha doença. Sentir um atração é uma coisa. Tomar uma ação para satisfazer a atração não é. Esta lição foi difícil de aprender mas foi aprendida. Pena que necessitou eu ter machucado alguém, ter acabado com a minha e ir preso para aprendê-la.
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
E o mundo continua girando...
Oi,
Estou aqui ainda! Coisa para se comemorar mas foi por pouco que retorno para a cadeia na própria audiência de instrução. Felizmente as coisas correram quase que inteiramente dentro do planejado. Me declarei culpado assim como estava planejado. De uma maneira geral esperava um interrogatório mais pesado por parte da promotoria mas quem fez a maioria das perguntas pesadas foi o próprio juiz.
Ao final da audiência, quando todos estavam se preparando para ir embora (o juiz já estava na porta com metade do corpo para fora) a promotora pública declarou que gostaria de solicitar a minha prisão preventiva novamente. Que no meu depoimento eu declarei que sou um risco à sociedade em decorrência da minha doença e de que eu deveria ser trancafiado. Neste momento eu quase desmaiei. Até o juiz voltou para a sala de audiência com uma cara de "O que?"... Ele então pediu que ela fizesse o requerimento e anexasse ao processo que ele iria considerar após receber a defesa por escrita dos meus advogados. A promotora se recusou e disse que gostaria de fazer a defesa oralmente de maneira que, caso o pedido dela fosse acatado, eu fosse preso imediatamente.
Felizmente meus advogados, após argumentar que uma pessoa não pode ser presa simplesmente devido à probabilidade de ela cometer um crime, conseguiram evitar a minha prisão. Entretanto o juiz decretou que eu utilize uma tornozeleira eletrônica por 90 dias. Não posso sair de casa após das 23h da noite e nem antes das 06h da manhã durante a semana. Nos finais de semana não posso sair de casa de maneira nenhuma.
Enquanto isto era decidido pelo juiz, e os dois lados argumentavam um contra o outro, eu simplesmente fiquei com a cabeça baixa, ambas as mãos em cima da mesa, e tremia descontroladamente. Não consigo me lembrar da maior parte do que foi dito na sessão. Realmente achei que iria novamente retornar para a cadeia e que haveria uma nova rodada de pedido de habeas corpus que poderiam demorar novamente 2 meses para serem julgados. Acho interessante quando vejo na televisão alguns presos conseguindo habeas corpus dentro de uma semana após serem presos. Isso me demonstra claramente que quando se tem dinheiro e influência se consegue tudo neste país.
De início fiquei extremamente aliviado por não ter sido preso. Após isto fiquei muito incomodado por ter que utilizar esta tornozeleira e ter que seguir uma série de regras para garantir que eu não vá novamente para a prisão (não arrebentar o lacre, manter sempre carregado a bateria, cuidar dos horários). Entretanto, após pensar sobre tudo isso, vi que existem algumas vantagens até para a minha segurança. Fiquei imaginando se acontecesse algo com a vítima, ou com a família dela, e que isto resultasse em um outro processo no meu nome. Digo isto porque eu seria uma pessoa com um motivo, vingança ou retaliação, muito forte e obviamente seria considerado um suspeito. Com esta tornozeleira se isto acontecer posso provar cabalmente que não estava nem perto do local do acontecido.
Outra coisa que a minha psicóloga falou hoje é que caso aconteça um crime parecido com o que eu cometi, posso usar esta mesma defesa para demonstrar que não tive nada a ver com o acontecido. De uma maneira geral a tornozeleira traz uma certa segurança para mim. Não somente para mim mas para outras pessoas que poderiam, hipoteticamente, serem potenciais vitimas. Caso eu, hipoteticamente, reincida no crime eu seria facilmente identificado e dai sim preso justamente poupado outras pessoas de serem vitimas.
Concordo 100% com a psicóloga, mas ainda disse a ela que me sentia incomodado de usar a tornozeleira mas não pela tornozeleira em si. Ficava incomodado porque percebo que houve uma má fé por parte da promotora em querer me enviar para a prisão. Entendo o argumento dela de que com a minha doença existe um risco inerente, mas isto não justifica uma prisão. Se ela tivesse pedido a tornozeleira ou uma prisão domiciliar eu ficaria tranquilo. Ter pedido a prisão com a justificava que pessoas como eu devem ser removidas da sociedade é um argumento crasso e estúpido. Se este fosse o caso então deveria eu abandonar o meu tratamento? Já que segundo ela minha condição é incurável e de alto risco para a sociedade de maneira geral? Deveria eu então ser preso para o resto da minha vida, coisa que a constituição não prevê? E quando acabar minha pena e eu ser solto na sociedade novamente? Como ficará dai?
Vejam, entendo que existe um risco inerente a minha doença que me faça a ter um impulso de difícil controle e que me leve a fazer algo ruim. Por isto mesmo que eu acredito que no meu caso eu devo continuar tendo acesos ao tratamento psiquiátrico e psicológico continuo, mesmo na cadeia. Interromper este tratamento é um risco potencialmente maior que me deixar solto. Repito, a tornozeleira neste caso é uma segurança mútua para ambos os lados e não me incomodo de usar ela.
O que me incomoda é alguém que, em tese, deveria ter vivência e experiência convivendo com atos iguais ao que eu cometi demonstrar uma ignorância absurda em relação à minha condição. Buscar a saída mais simples sem analisar o contexto é digno de alguém que não tem a mínima capacidade de consideração.
Entretanto, por mais que eu fique indignado com isto tudo o passado é o passado e a única coisa que podemos fazer é viver o presente e mudar o futuro, desde que isto seja nossa objetivo. O meu objetivo é mudar meu futuro, da melhor maneira possível. Se isto significa acompanhamento psicológico e tratamento com médicos receitados pelo psiquiatra então que assim seja.
Se eu estiver disposto a mudar e me esforçar para isto de maneira que eu consiga identificar os padrões que me levem a cometer o mesmo erro e evitá-los então eu terei realmente atingido o meu maior objetivo. Este é o meu sonho.
Estou aqui ainda! Coisa para se comemorar mas foi por pouco que retorno para a cadeia na própria audiência de instrução. Felizmente as coisas correram quase que inteiramente dentro do planejado. Me declarei culpado assim como estava planejado. De uma maneira geral esperava um interrogatório mais pesado por parte da promotoria mas quem fez a maioria das perguntas pesadas foi o próprio juiz.
Ao final da audiência, quando todos estavam se preparando para ir embora (o juiz já estava na porta com metade do corpo para fora) a promotora pública declarou que gostaria de solicitar a minha prisão preventiva novamente. Que no meu depoimento eu declarei que sou um risco à sociedade em decorrência da minha doença e de que eu deveria ser trancafiado. Neste momento eu quase desmaiei. Até o juiz voltou para a sala de audiência com uma cara de "O que?"... Ele então pediu que ela fizesse o requerimento e anexasse ao processo que ele iria considerar após receber a defesa por escrita dos meus advogados. A promotora se recusou e disse que gostaria de fazer a defesa oralmente de maneira que, caso o pedido dela fosse acatado, eu fosse preso imediatamente.
Felizmente meus advogados, após argumentar que uma pessoa não pode ser presa simplesmente devido à probabilidade de ela cometer um crime, conseguiram evitar a minha prisão. Entretanto o juiz decretou que eu utilize uma tornozeleira eletrônica por 90 dias. Não posso sair de casa após das 23h da noite e nem antes das 06h da manhã durante a semana. Nos finais de semana não posso sair de casa de maneira nenhuma.
Enquanto isto era decidido pelo juiz, e os dois lados argumentavam um contra o outro, eu simplesmente fiquei com a cabeça baixa, ambas as mãos em cima da mesa, e tremia descontroladamente. Não consigo me lembrar da maior parte do que foi dito na sessão. Realmente achei que iria novamente retornar para a cadeia e que haveria uma nova rodada de pedido de habeas corpus que poderiam demorar novamente 2 meses para serem julgados. Acho interessante quando vejo na televisão alguns presos conseguindo habeas corpus dentro de uma semana após serem presos. Isso me demonstra claramente que quando se tem dinheiro e influência se consegue tudo neste país.
De início fiquei extremamente aliviado por não ter sido preso. Após isto fiquei muito incomodado por ter que utilizar esta tornozeleira e ter que seguir uma série de regras para garantir que eu não vá novamente para a prisão (não arrebentar o lacre, manter sempre carregado a bateria, cuidar dos horários). Entretanto, após pensar sobre tudo isso, vi que existem algumas vantagens até para a minha segurança. Fiquei imaginando se acontecesse algo com a vítima, ou com a família dela, e que isto resultasse em um outro processo no meu nome. Digo isto porque eu seria uma pessoa com um motivo, vingança ou retaliação, muito forte e obviamente seria considerado um suspeito. Com esta tornozeleira se isto acontecer posso provar cabalmente que não estava nem perto do local do acontecido.
Outra coisa que a minha psicóloga falou hoje é que caso aconteça um crime parecido com o que eu cometi, posso usar esta mesma defesa para demonstrar que não tive nada a ver com o acontecido. De uma maneira geral a tornozeleira traz uma certa segurança para mim. Não somente para mim mas para outras pessoas que poderiam, hipoteticamente, serem potenciais vitimas. Caso eu, hipoteticamente, reincida no crime eu seria facilmente identificado e dai sim preso justamente poupado outras pessoas de serem vitimas.
Concordo 100% com a psicóloga, mas ainda disse a ela que me sentia incomodado de usar a tornozeleira mas não pela tornozeleira em si. Ficava incomodado porque percebo que houve uma má fé por parte da promotora em querer me enviar para a prisão. Entendo o argumento dela de que com a minha doença existe um risco inerente, mas isto não justifica uma prisão. Se ela tivesse pedido a tornozeleira ou uma prisão domiciliar eu ficaria tranquilo. Ter pedido a prisão com a justificava que pessoas como eu devem ser removidas da sociedade é um argumento crasso e estúpido. Se este fosse o caso então deveria eu abandonar o meu tratamento? Já que segundo ela minha condição é incurável e de alto risco para a sociedade de maneira geral? Deveria eu então ser preso para o resto da minha vida, coisa que a constituição não prevê? E quando acabar minha pena e eu ser solto na sociedade novamente? Como ficará dai?
Vejam, entendo que existe um risco inerente a minha doença que me faça a ter um impulso de difícil controle e que me leve a fazer algo ruim. Por isto mesmo que eu acredito que no meu caso eu devo continuar tendo acesos ao tratamento psiquiátrico e psicológico continuo, mesmo na cadeia. Interromper este tratamento é um risco potencialmente maior que me deixar solto. Repito, a tornozeleira neste caso é uma segurança mútua para ambos os lados e não me incomodo de usar ela.
O que me incomoda é alguém que, em tese, deveria ter vivência e experiência convivendo com atos iguais ao que eu cometi demonstrar uma ignorância absurda em relação à minha condição. Buscar a saída mais simples sem analisar o contexto é digno de alguém que não tem a mínima capacidade de consideração.
Entretanto, por mais que eu fique indignado com isto tudo o passado é o passado e a única coisa que podemos fazer é viver o presente e mudar o futuro, desde que isto seja nossa objetivo. O meu objetivo é mudar meu futuro, da melhor maneira possível. Se isto significa acompanhamento psicológico e tratamento com médicos receitados pelo psiquiatra então que assim seja.
Se eu estiver disposto a mudar e me esforçar para isto de maneira que eu consiga identificar os padrões que me levem a cometer o mesmo erro e evitá-los então eu terei realmente atingido o meu maior objetivo. Este é o meu sonho.
sábado, 24 de outubro de 2015
Bliss
Unknown
19:07:00
alegria
,
amigos
,
angustia
,
ansiedade
,
auto-confiança
,
auto-estima
,
felicidade
,
medo
,
mudança de atitude
,
otimismo
,
pessimismo
,
rejeição
No comments
Oi,
Espero que todos estejam bem.
Ontem fiz algo inédito para mim nestes últimos meses. Sai com alguns amigos (sim, ainda sobraram alguns felizmente) e fomos em um barzinho. Não havia saído de casa para fazer algo assim desde que entrei em liberdade provisória. Simplesmente não me sentia a vontade de sair e de repente dar de cara com alguém que conhecia e que me odeia agora. Não sabia como seria a reação desta pessoa. Poderia passar simplesmente de fazer cara feia a fazer algum escândalo. Logo, mais pelo não que pelo sim, simplesmente não saia de casa.
Não tinha segurança nenhuma, minha auto estima estava bem baixa, e caso acontecesse algo assim não sabia como eu reagiria a tudo. Ás vezes tinha a impressão de que eu ficaria puto caso a pessoa falasse algo e temia que eu acabasse envolvido em alguma briga. Ás vezes tinha a impressão de que se a pessoa falasse algo eu simplesmente começaria a chorar histericamente e desabaria.
Entretanto, de uma maneira geral, todas as essas questões de auto estima tem ficado melhores (conforme eu já havia comentado anteriormente) e me sinto melhor em relação a mim mesmo. Claro, ainda percebo que minha auto confiança e auto estima estão baixos mas pelo menos consigo reconhecer isto agora. Este simples fato, de conseguir me analisar e reconhecer isto, aliado com o fato de que tenho tentando "me resolver" (no sentido, conversar mais comigo mesmo, refletir mais sobre mim mesmo) tem me ajudado e navegar melhor por estas incertezas. Ainda não é perfeito esse gerenciamento mas é muito melhor do que ele era antigamente.
Então me senti confiante de ir no barzinho com essas minhas amigas para espairecer a cabeça um pouco. Com a audiência chegando agora no dia 27 eu senti que eu precisava fazer algo para aliviar a tensão um pouco. Logo, tomar umas cervejas e bater um pouco de papo sobre qualquer besteira me pareceu uma ótima solução. O encontro foi bem legal, cheguei lá em torno das 18h30m e fiquei até 23h30m. Nunca fui muito de sair para ir em algum bar, sempre preferi fazer algo em casa mesmo. Logo, nunca fui de ficar muito tempo no bar mas só essas poucas horas que eu fiquei já me levantaram o ânimo de uma maneira impressionante. Fiquei muito feliz de poder ter feito algo normal.
Entretanto, percebi após pensar um pouco que um dos maiores motivadores para ter ido ao bar foi a questão da audiência do dia 27. Apesar de ter uma mísera chance de 1 ou 2% de ir preso novamente nesta audiência é somente nisso que eu consigo pensar ás vezes. Tenho conseguido gerenciar melhor essa ansiedade e expectativas descomunais em relação a um risco tão pequeno mas nem sempre consigo fazer um controle adequado. Logo, essa ida ao bar me pareceu uma certa despedida aos meus amigos. Uma última chance de ver eles antes de ser preso por vários anos.
Percebi isso porque eu havia tentando marcar um churrasco com um outro grupo de amigos para este sábado que infelizmente não rolou. Quando eles me avisaram, via e-mail, que não ia rolar, porque tinham outros compromissos, eu respondi dizendo que entendia e que poderíamos marcar para o próximo final de semana; internamente, entretanto, eu fiquei bem mal e triste e principalmente angustiado. Esses meus amigos vão depor a meu favor, como testemunhas de carácter, na terça feira agora e somente vou vê-los nesse dia. Senti que essa minha angústia era devido a achar que a última vez que eu veria eles seria na audiência a medida que eu fosse algemado e colocado numa viatura para ser despachado para algum presídio. Bizarro, eu sei, mas era como eu me sentia.
Uma surpresa inesperada nessa ida ao bar foi que uma pessoa que eu conhecia anteriormente, mas não chamava de amigo e sim de colega de trabalho, apareceu junto. Esse cara havia me mandado umas mensagens após eu ter sido solto e elas fizeram um bem enorme para mim. Ele me falou que não queria saber o que havia acontecido e nem se era verdade ou não. Ele estava interessado em saber como eu estava, se eu precisava de ajuda ou de alguém para conversar que era para contar com ele. Que ele estava com a cabeça aberta, não queria fazer julgamento de ninguém mas que gostava muito de mim e por isso achava que eu merecia pelo menos uma chance. Nunca iria esperar isso de alguém como ele. Nós sempre se demos bem no trabalho, inclusive até em alguns churrasco da empresa e etc, mas como eu disse acho que nunca poderia ter chamado ele de amigo. Entretanto, aqui estava ele, alguém que mal me conhecia me dando um apoio fundamental para que eu soubesse que não estava sozinho, que existiam pessoas que queriam me ajudar.
Teve pessoas que eu considerava mais que amigos, que eu considerava como se fossem irmãos, que me abandonaram. Algumas destas pessoas que inclusive mandaram avisar, via amigos em comum que eu ainda tenho, que eu estava morto para eles. Destas pessoas eu esperava apoio e não tive. Acho que isto, mais até dos problemas que estou tendo com meu irmão de verdade, foi um dos principais fatores que me quebrou ao meio. Minha auto confiança e minha auto estima, após ser rejeitado por estas pessoas, que eu considerava tanto, simplesmente estilhaçaram. Pensava que eu deveria realmente ser um monstro, um merda, para que até pessoas que eu conhecia a mais de 10 anos, pessoas que eu chamava de irmão e não de maneira leviana, estarem me abandonado. No entanto, aqui estava um exemplo de um cara que eu nem considerava meu amigo me dando uma super força, um apoio que foi fundamental. São nestas surpresas agradáveis que eu tento me focar e não nas desagradáveis. Pena que nem sempre isso é fácil de fazer.
Mais felizmente esse cara foi ontem no bar e pudemos trocar algumas palavras rápidas. Percebi que ele, assim como já havia dito anteriormente, não queria saber dos detalhes do que havia acontecido e nem nada do tipo. Percebi que ele estava realmente interessado em saber como eu tava, se estava procurando ajuda, se estava tomando remédios, se eu estava bem de verdade. Falou novamente que qualquer coisa era para eu dar um toque nele, no que ele pudesse ajudar ele tentaria. Se fosse bater um papo, tomar uma cerveja ou o que fosse. Cara, realmente existem pessoas boas no mundo. Estes meus poucos amigos que restaram mais essas surpresas que eu tenho de algumas pessoas me deixam muito feliz. Não consigo expressar em palavras como é poder escutar isso de uma pessoa. Saber que a pessoa genuinamente está interessado no teu bem estar, que ela não concorda com o que você fez mas entende que todos somos passíveis de erros e que temos que tentar sempre lidar com as consequências dos erros da melhor maneira possível. Novamente, cara, isso é fantástico!
PS:
O título deste post ia ser Incerteza. Incerteza porque quando eu comecei a escrever ia ser sobre que apesar de ter saído na sexta-feira e ter ficado melhor de ânimo hoje eu estava novamente angustiado e incerto sobre o meu futuro. Ia falar novamente que eu estava pirando e me sentindo triste e ansioso e uma série de outras coisas. Novamente, ao começar a escrever o post e escolhendo falar da parte boa (que foi ter saído) e me foquei mais nessa parte do que na parte ruim. Ter relembrado sobre ontem à noite e sobre essa pessoa que eu encontrei me fizeram, temporariamente, esquecer das coisas ruins que eu estava sentindo.
Após escrever o post inteiro acima, parei e reli ele algumas vezes. Tenho mania de fazer isso com todos os posts porque tento imaginar como uma pessoa estranha deve se sentir e pensar ao ler tudo isso que eu estou escrevendo. A medida que eu fui lendo e relendo eu percebi que eu estava muito feliz em poder contar tudo isso que eu contei. Muito feliz por ter passado por essa experiência. Sim, ainda estava me sentindo triste, angustiado, inseguro, incerto sobre o futuro. Entretanto, a felicidade e alegria que eu sinto é muito maior. Então, ao invés de focar na parte ruim eu vou focar na parte boa do que eu estou sentindo.
Entretanto, isso não significa que eu vou fingir que a parte ruim não está lá. Não vou enterrar esses meus sentimentos que nem eu sempre fiz ao longo da minha vida. Tenho que reconhecer que eles estão aqui dentro de mim e que eu preciso lidar com eles. Por isso que eu escrevi esse PS, meio longo, para dizer que além da alegria que eu estou sentindo também tem sentimentos ruins. Eles estão aqui e estão sendo gerenciados por mim. A existência deles dentro da minha cabeça me obrigam a honrá-los tanto quanto os sentimentos bons.
Espero que todos estejam bem.
Ontem fiz algo inédito para mim nestes últimos meses. Sai com alguns amigos (sim, ainda sobraram alguns felizmente) e fomos em um barzinho. Não havia saído de casa para fazer algo assim desde que entrei em liberdade provisória. Simplesmente não me sentia a vontade de sair e de repente dar de cara com alguém que conhecia e que me odeia agora. Não sabia como seria a reação desta pessoa. Poderia passar simplesmente de fazer cara feia a fazer algum escândalo. Logo, mais pelo não que pelo sim, simplesmente não saia de casa.
Não tinha segurança nenhuma, minha auto estima estava bem baixa, e caso acontecesse algo assim não sabia como eu reagiria a tudo. Ás vezes tinha a impressão de que eu ficaria puto caso a pessoa falasse algo e temia que eu acabasse envolvido em alguma briga. Ás vezes tinha a impressão de que se a pessoa falasse algo eu simplesmente começaria a chorar histericamente e desabaria.
Entretanto, de uma maneira geral, todas as essas questões de auto estima tem ficado melhores (conforme eu já havia comentado anteriormente) e me sinto melhor em relação a mim mesmo. Claro, ainda percebo que minha auto confiança e auto estima estão baixos mas pelo menos consigo reconhecer isto agora. Este simples fato, de conseguir me analisar e reconhecer isto, aliado com o fato de que tenho tentando "me resolver" (no sentido, conversar mais comigo mesmo, refletir mais sobre mim mesmo) tem me ajudado e navegar melhor por estas incertezas. Ainda não é perfeito esse gerenciamento mas é muito melhor do que ele era antigamente.
Então me senti confiante de ir no barzinho com essas minhas amigas para espairecer a cabeça um pouco. Com a audiência chegando agora no dia 27 eu senti que eu precisava fazer algo para aliviar a tensão um pouco. Logo, tomar umas cervejas e bater um pouco de papo sobre qualquer besteira me pareceu uma ótima solução. O encontro foi bem legal, cheguei lá em torno das 18h30m e fiquei até 23h30m. Nunca fui muito de sair para ir em algum bar, sempre preferi fazer algo em casa mesmo. Logo, nunca fui de ficar muito tempo no bar mas só essas poucas horas que eu fiquei já me levantaram o ânimo de uma maneira impressionante. Fiquei muito feliz de poder ter feito algo normal.
Entretanto, percebi após pensar um pouco que um dos maiores motivadores para ter ido ao bar foi a questão da audiência do dia 27. Apesar de ter uma mísera chance de 1 ou 2% de ir preso novamente nesta audiência é somente nisso que eu consigo pensar ás vezes. Tenho conseguido gerenciar melhor essa ansiedade e expectativas descomunais em relação a um risco tão pequeno mas nem sempre consigo fazer um controle adequado. Logo, essa ida ao bar me pareceu uma certa despedida aos meus amigos. Uma última chance de ver eles antes de ser preso por vários anos.
Percebi isso porque eu havia tentando marcar um churrasco com um outro grupo de amigos para este sábado que infelizmente não rolou. Quando eles me avisaram, via e-mail, que não ia rolar, porque tinham outros compromissos, eu respondi dizendo que entendia e que poderíamos marcar para o próximo final de semana; internamente, entretanto, eu fiquei bem mal e triste e principalmente angustiado. Esses meus amigos vão depor a meu favor, como testemunhas de carácter, na terça feira agora e somente vou vê-los nesse dia. Senti que essa minha angústia era devido a achar que a última vez que eu veria eles seria na audiência a medida que eu fosse algemado e colocado numa viatura para ser despachado para algum presídio. Bizarro, eu sei, mas era como eu me sentia.
Uma surpresa inesperada nessa ida ao bar foi que uma pessoa que eu conhecia anteriormente, mas não chamava de amigo e sim de colega de trabalho, apareceu junto. Esse cara havia me mandado umas mensagens após eu ter sido solto e elas fizeram um bem enorme para mim. Ele me falou que não queria saber o que havia acontecido e nem se era verdade ou não. Ele estava interessado em saber como eu estava, se eu precisava de ajuda ou de alguém para conversar que era para contar com ele. Que ele estava com a cabeça aberta, não queria fazer julgamento de ninguém mas que gostava muito de mim e por isso achava que eu merecia pelo menos uma chance. Nunca iria esperar isso de alguém como ele. Nós sempre se demos bem no trabalho, inclusive até em alguns churrasco da empresa e etc, mas como eu disse acho que nunca poderia ter chamado ele de amigo. Entretanto, aqui estava ele, alguém que mal me conhecia me dando um apoio fundamental para que eu soubesse que não estava sozinho, que existiam pessoas que queriam me ajudar.
Teve pessoas que eu considerava mais que amigos, que eu considerava como se fossem irmãos, que me abandonaram. Algumas destas pessoas que inclusive mandaram avisar, via amigos em comum que eu ainda tenho, que eu estava morto para eles. Destas pessoas eu esperava apoio e não tive. Acho que isto, mais até dos problemas que estou tendo com meu irmão de verdade, foi um dos principais fatores que me quebrou ao meio. Minha auto confiança e minha auto estima, após ser rejeitado por estas pessoas, que eu considerava tanto, simplesmente estilhaçaram. Pensava que eu deveria realmente ser um monstro, um merda, para que até pessoas que eu conhecia a mais de 10 anos, pessoas que eu chamava de irmão e não de maneira leviana, estarem me abandonado. No entanto, aqui estava um exemplo de um cara que eu nem considerava meu amigo me dando uma super força, um apoio que foi fundamental. São nestas surpresas agradáveis que eu tento me focar e não nas desagradáveis. Pena que nem sempre isso é fácil de fazer.
Mais felizmente esse cara foi ontem no bar e pudemos trocar algumas palavras rápidas. Percebi que ele, assim como já havia dito anteriormente, não queria saber dos detalhes do que havia acontecido e nem nada do tipo. Percebi que ele estava realmente interessado em saber como eu tava, se estava procurando ajuda, se estava tomando remédios, se eu estava bem de verdade. Falou novamente que qualquer coisa era para eu dar um toque nele, no que ele pudesse ajudar ele tentaria. Se fosse bater um papo, tomar uma cerveja ou o que fosse. Cara, realmente existem pessoas boas no mundo. Estes meus poucos amigos que restaram mais essas surpresas que eu tenho de algumas pessoas me deixam muito feliz. Não consigo expressar em palavras como é poder escutar isso de uma pessoa. Saber que a pessoa genuinamente está interessado no teu bem estar, que ela não concorda com o que você fez mas entende que todos somos passíveis de erros e que temos que tentar sempre lidar com as consequências dos erros da melhor maneira possível. Novamente, cara, isso é fantástico!
PS:
O título deste post ia ser Incerteza. Incerteza porque quando eu comecei a escrever ia ser sobre que apesar de ter saído na sexta-feira e ter ficado melhor de ânimo hoje eu estava novamente angustiado e incerto sobre o meu futuro. Ia falar novamente que eu estava pirando e me sentindo triste e ansioso e uma série de outras coisas. Novamente, ao começar a escrever o post e escolhendo falar da parte boa (que foi ter saído) e me foquei mais nessa parte do que na parte ruim. Ter relembrado sobre ontem à noite e sobre essa pessoa que eu encontrei me fizeram, temporariamente, esquecer das coisas ruins que eu estava sentindo.
Após escrever o post inteiro acima, parei e reli ele algumas vezes. Tenho mania de fazer isso com todos os posts porque tento imaginar como uma pessoa estranha deve se sentir e pensar ao ler tudo isso que eu estou escrevendo. A medida que eu fui lendo e relendo eu percebi que eu estava muito feliz em poder contar tudo isso que eu contei. Muito feliz por ter passado por essa experiência. Sim, ainda estava me sentindo triste, angustiado, inseguro, incerto sobre o futuro. Entretanto, a felicidade e alegria que eu sinto é muito maior. Então, ao invés de focar na parte ruim eu vou focar na parte boa do que eu estou sentindo.
Entretanto, isso não significa que eu vou fingir que a parte ruim não está lá. Não vou enterrar esses meus sentimentos que nem eu sempre fiz ao longo da minha vida. Tenho que reconhecer que eles estão aqui dentro de mim e que eu preciso lidar com eles. Por isso que eu escrevi esse PS, meio longo, para dizer que além da alegria que eu estou sentindo também tem sentimentos ruins. Eles estão aqui e estão sendo gerenciados por mim. A existência deles dentro da minha cabeça me obrigam a honrá-los tanto quanto os sentimentos bons.
quarta-feira, 21 de outubro de 2015
Ansiedade
Olá,
Hoje estamos a menos de uma semana da minha audiência, que será realizada na próxima terça-feira....
Não consigo expressar através de palavras a angústia e ansiedade que estou sentindo nestes últimos dias. Posso dizer, felizmente, que a intensidade de ambos estes sentimentos não se comparam com como estava antes da minha primeira audiência. Entretanto, ainda sim estou bem nervoso e agitado.
Tenho tentado, e até certo ponto conseguido, manter o controle destas emoções. Quando sinto que estou ficando ansioso demais paro e tento meditar um pouco. Fazer isto me ajuda a me acalmar e continuar o que eu estava fazendo anteriormente. Claro, nem sempre isto funciona mas na maioria das vezes dá certo. Também tenho aproveitado para passar tempo com os meus pais e com meus amigos. A sensação eminente de que eu irei retornar para a cadeia no dia 27 não me deixa. A probabilidade é na casa de 1% e mesmo assim este percentual parece significar mais que 100% na minha cabeça.
Percebo que há muito tempo que isto deixou de ser uma ansiedade, um medo e se tornou uma neurose, praticamente uma fobia. Pensar nisso me paralisa completamente, tenho dificuldade até para respirar algumas vezes. A lógica, algo que eu prezo tanto, me diz que isto é besteira, que eu não irei preso na audiência; mas minha cabeça não se convence disso e manda a lógica ir para a PQP.
Tem uma música do Foo Figthers que eu estava ouvindo esses dias que me fez pensar muito nesse assunto. O nome da música é Best Of You (O Melhor de Você), e no refrão tem a seguinte letra:
Hoje estamos a menos de uma semana da minha audiência, que será realizada na próxima terça-feira....
Não consigo expressar através de palavras a angústia e ansiedade que estou sentindo nestes últimos dias. Posso dizer, felizmente, que a intensidade de ambos estes sentimentos não se comparam com como estava antes da minha primeira audiência. Entretanto, ainda sim estou bem nervoso e agitado.
Tenho tentado, e até certo ponto conseguido, manter o controle destas emoções. Quando sinto que estou ficando ansioso demais paro e tento meditar um pouco. Fazer isto me ajuda a me acalmar e continuar o que eu estava fazendo anteriormente. Claro, nem sempre isto funciona mas na maioria das vezes dá certo. Também tenho aproveitado para passar tempo com os meus pais e com meus amigos. A sensação eminente de que eu irei retornar para a cadeia no dia 27 não me deixa. A probabilidade é na casa de 1% e mesmo assim este percentual parece significar mais que 100% na minha cabeça.
Percebo que há muito tempo que isto deixou de ser uma ansiedade, um medo e se tornou uma neurose, praticamente uma fobia. Pensar nisso me paralisa completamente, tenho dificuldade até para respirar algumas vezes. A lógica, algo que eu prezo tanto, me diz que isto é besteira, que eu não irei preso na audiência; mas minha cabeça não se convence disso e manda a lógica ir para a PQP.
Tem uma música do Foo Figthers que eu estava ouvindo esses dias que me fez pensar muito nesse assunto. O nome da música é Best Of You (O Melhor de Você), e no refrão tem a seguinte letra:
Is someone getting the best, the best, the best, the best of you?
Basicamente dizendo: Existe alguém tirando o melhor de você?
A resposta, no meu caso, é que sim, existe uma pessoa que está tirando o melhor de mim. Uma pessoa que está impedindo eu de viver. Esta pessoa não é nada mais, nada menos, do que Eu mesmo!
Este meu medo da audiência, do desconhecido que cerca esse evento, é natural. Ter ansiedade por algo que vai potencialmente mudar minha vida é normal, qualquer pessoa sente isso. Sentem isso quando estão para prestar o vestibular, quando estão para se formar na faculdade, quando estão procurando o primeiro emprego, quando se casam, quando tem filhos e etc. Todo evento significativo em nossas vidas causam ansiedade e apreensão. Isto é normal.
Se deixar tomar por essa ansiedade, por esse medo, é prejudicial e gera um loop infinito de angústia. Seria o equivalente a não passar de primeira no vestibular e nunca mais conseguir ter a confiança para fazer a prova com calma. Seria o equivalente a bombar na primeira entrevista de emprego e considerar que você é um péssimo profissional e ficar com medo de fazer outra entrevista. Provações acontecem na vida de todo mundo, de um jeito ou de outro.
Nunca imaginaria que uma das minhas maiores provações fosse ser preso, acusado de um crime com potencial de mandar para a cadeia por vários anos. Não era isto que eu queria para a minha vida, nunca esteve nos meus planos obviamente! Entretanto, a realidade é esta. Claro, devemos ter sonhos e expectativas sobre o que queremos mas também temos que ter maturidade para enfrentar o que temos na nossa frente no momento. Esta maturidade ainda é algo que eu não possuo, pelo menos não plenamente.
Tenho lutado muito para, pouco a pouco, conseguir adquirir essa tranquilidade, essa maturidade. Essa capacidade de ficar frente à frente com o que está no meu caminho e tentar encarar isto da melhor maneira possível. Em parte, essa maturidade se mostra presente quando eu tomei a decisão de procurar ajuda, de manter um papo franco e honesto com a minha família e amigos, de emagrecer e cuidar da minha saúde indo na academia. Ela se mostra presente também nos meus pensamentos, quando encontro situações difíceis de rejeição, quando sinto vontade de cometer algo ruim mas racionalizo e me impeço de fazer algo.
Ao mesmo tempo, ela se mostra insuficiente como por exemplo nessa ansiedade exacerbada que eu estou sentindo. No desespero mental que tenta, de qualquer maneira possível, achar uma brecha que permita que eu não seja preso novamente.
Cada dia é um dia novo. Ontem passou, coisas boas aconteceram e coisas ruins também. Hoje é um dia novo, onde eu tenho a chance de fazer coisas boas e encarar coisas ruins de uma boa maneira. Não vou ser perfeito sempre, e esse nem é o objetivo. Existirão dias em que todo irá por água baixo. Saber levar cada um desses dias da melhor maneira possível é o desafio. Cada passo dado é uma pequena vitória. Cada passo cedido é uma lição aprendida. Não desistir me parece ser a solução. Tirar minha vida, fugir daqui ou qualquer outra coisa como essa não é uma opção. Elas podem parecer noções agradáveis ás vezes, como o canto de uma sereia, mas estas opções, assim como o canto da sereia, trazem a ruína.
É difícil. A cada passo parece que eu carrego toneladas nas minhas costas, peso suficiente para fazer o Atlas parecer uma criança. A cada contratempo a desilusão parece ser a única coisa que eu vejo e penso. Estou aqui entretanto. Ainda estou aqui. Estive aqui ontem e espero estar aqui amanhã. Estarei aqui quando eu estiver preso. Mesmo estando recolhido, suspenso do mundo normal onde as pessoas vivem, ainda existirei e ainda estarei lutando. Quando eu sair da prisão, daqui a alguns anos, ainda estarei vivo. Minha vida será totalmente diferente e isso me amedronta de uma maneira inexplicável. Espero que eu consiga me reerguer. Digo espero porque eu não sei o que o futuro me aguarda. Entretanto, eu sei o que eu aguardo do meu futuro. Eu aguardo ser capaz de encarar tudo isso e me tornar melhor. Eu espero poder olhar para trás, daqui a alguns anos, e poder dizer que tudo o que eu passei me tornou uma pessoa melhor. Eu espero estar vivo.
sábado, 17 de outubro de 2015
Marasmo
Oi,
Espero que todos estejam bem! Eu estou por aqui ainda, vivo apesar de inativo em questões de posts neste blog. Estas últimas semanas tem sido bem corridas por causa do apartamento que está para ser entregue, logo estou tendo que ir atrás de um monte de coisas para ele. Fazer pesquisa de preço é legal, afinal poupa o nosso suado dinheirinho mas dá uma trabalheira e uma canseira que é complicado!
Neste última semana que passou teve a primeira assembléia geral do prédio e um coquetel da entrega dos apartamentos. A assembléia foi extremamente caótica! Impressionante como sai bate boca para todos os lados, cada um querendo dar os seus dois centavos de opinião e etc. Caso a gente fosse estudar seres humanos em assembléias acredito que teríamos a certeza que de que o ser humano não foi feito para viver em convívio social.
Uma das questões mais importantes que foi discutida foi em relação a ter portaria 24h no prédio ou não. Isto impacta diretamente no valor do condomínio que terá que ser pago mensalmente pelos condôminos. Sinceramente, até sou favorável a ter portaria 24h mas não de início no prédio. Como o valor do condomínio aumenta muito (para a fração ideal do meu apartamento, aumenta mais de R$ 110,00) com esta opção acho mais válido no início a opção que foi escolhida na assembléia. Basicamente, teremos um vigia das 19h até as 07h da manhã quando entra o zelador do prédio. As 9h entra o porteiro para cobrir quando o zelador sair 2h antes. Dessa maneira teremos alguém no prédio praticamente 24h, com possíveis buracos nas trocas de pessoal. A única coisa ruim é que domingo não tem ninguém dai para ficar na portaria.
A vantagem, pelo menos no meu ponto de vista, é que podemos utilizar uma porcentual dessa economia que fizemos para contratar uma vigilância monitorada, colocar cerca elétrica no prédio e adicionar mais câmeras no mesmo. Dessa maneira já teremos um bom nível de segurança. Mesmo tendo um porteiro 24h, ele não poderá fazer nada caso alguém venha assaltar o prédio ou algo do estilo, é somente o fator psicológico de que teremos alguém presente no prédio a todo momento. Acho que essa opção de economizar no início e adicionar itens de segurança passivos primeiramente e depois avaliar se é necessário colocar portaria 24h melhor.
O coquetel foi bem bacana, deu para conhecer alguns dos futuros vizinhos e na sua maioria todos pareciam legais. Claro que um encontro não é suficiente para julgar ninguém obviamente, até porque caso fosse provavelmente a minha presença no meio de todos seria no mínimo polêmica. Acho um tanto irônico ter ido conhecer os meus futuros vizinhos sendo que provavelmente irei passar alguns anos afastado na prisão. Imagino como vai ser quando eu finalmente puder me instalar no meu apartamento daqui a alguns anos. Imagino se algum deles um dia irá descobrir sobre mim e se isso irá me causa problemas. Infelizmente não é algo que eu possa controlar e nem prever agora, então não posso fazer nada além de esperar e imaginar.
Sobre mim em específico, não tem nada demais no front. Eu tive uma consulta com o meu psiquiatra na semana passada e relatei um resumão sobre tudo que aconteceu neste último mês. Conversamos sobre a questão da minha prima e como foi minha reação a isso tudo e mais algumas outras coisas e no geral ele acredita que foi muito positivo a maneira como eu me portei. Pedi para ele aumentar a dose do meu remédio. Tomo Carbonato de Lítio que é um estabilizador de humor utilizado em episódios maníacos de Bipolaridade. No meu caso, a ideia principal é para ele agir como um amenizador de impulsos (por isso que é usado nos episódios maniacos de bipolaridade) de maneira que me permita me controlar caso eu sinta vontade de fazer algo ruim.
Importante ressaltar que o remédio em si não serve de nada caso eu queira fazer mesmo algo ruim, ele serve como um apoio para me segurar em um momento inicial, mas o esforço para não fazer algo tem que ser consciente. Aprender a controlar isto conscientemente é a razão principal para eu estar fazendo terapia com a psicóloga. Logo, preciso de ambas as frentes (o remédio e a terapia) para que eu posso ter a habilidade de controlar os meus impulsos e desejos. Como este remédio me deu uma reação adversa que foi o aparecimento de acnes no rosto tive que ir numa dermatologista para fazer o controle disso. Inicialmente ela me receitou o Clyndoxil Control 5% que ajudou muito no controle da acne. Praticamente não tenho mais inflamações e espinhas na pele. Agora com o aumento da dose voltei lá e ela me receitou a versão 10% mas pediu para eu continuar com a 5% para ver se resolve. Caso resolva, não uso a 10% que é bem forte.
Fora disso, o temido dia 27/10/2015 está quase ai, pouco mais de uma semana até ele. Acho que já relatei diversas vezes aqui como o período anterior a minha primeira audiência tinha sido turbulento para mim. Eu me sentia paralisado pelo medo que sentia de que seria preso na primeira audiência. Sentia uma ansiedade tremenda pelo o que estava por vir e mais uma série de coisas ruins. Essa audiência veio e passou sem que nada acontecesse. Seria ótimo se o mesmo evento que ocasionou o adiamento da primeira audiência acontecesse novamente. Neste caso, haveria um aspecto positivo a meu favor de já ter comparecido em ambas as audiências.
Deixo claro novamente, sim, sei que sou culpado e de que o correto é que eu sirva minha sentença na prisão. Entretanto, para as pessoas que nunca estiveram encarcerados, vocês não tem a mínima idéia do inferno que é ser preso. Ser tratado como algo pior que um bicho. Ser xingado, agredido por agentes. Viver em condições sub-humanas como celas escuras, sem iluminação natural ou artificial, úmidas, com cheiro de mofo. Celas super lotadas, lugares que deveriam abrigar 12 pessoas abrigando mais de 16. A comida é horrível e nojenta, duvido que se gaste mais do que 3 reais para fazer aquelas marmitas que são servidas.
Antes que vocês pensem "Sim! Merecem, afinal fizeram coisas erradas!" eu digo: A algum tempo atrás até concordaria com você. Entretanto, todos podemos vir a errar um dia e se encontrar nessa situação. Mesmo que uma pessoa faça algo errada e vá para a cadeia, esse tempo de pena deveria ser socioeducativo além de punitivo. Com os presos vivendo nas condições que eu vi e vivi na pele não me surpreendo de eles retornarem para a sociedade piores do que quando entraram. Encontrei várias pessoas cujo único objetivo era fugir o mais cedo possível (porque não aguentavam mais as condições da cadeia) e voltar a praticar crimes. Nestes casos, do que serve a pessoa ficar presa?
Claro, a criminalidade irá abaixar por alguns anos. Ótimo! Dai vemos secretários de segurança se candidatando para cargos públicos dizendo que reduziram em X% a criminalidade em seu mandato. Entretanto, estas pessoas que foram presas um dia irão retornar a sociedade, seja por um meio ilegal como a fuga ou um legal como a soltura. Com a condição das cadeias como estão onde, além de tudo que eu relatei, os agentes estão pouco se importando com os presos. A administração também pouco faz para re-educar essas pessoas. Quando elas retornam para o convívio público serão com certeza pessoas mais raivosas com um desejo de vingança para com todos pelo período que passaram lá. Isto me parece ser um ciclo vicioso infinito.
Vejam, não defendo que os presos sejam tratados a banquetes e com celas como quartos de hotéis. Bastaria que os governos (municipais, estaduais e federais) dessem o mínimo de condição digna para estes presos. Isto, aliado com alguns programas que pudessem dar educação básica (muitos não tem nem o fundamental), ensinar profissões e dessem empregos enquanto estivessem presos ajudaria estas pessoas a entenderem que existe um pós cadeia bom para eles. Onde não teriam que recorrer ao crime para se sustentar. Não seria a solução definitiva, já que sempre irão existir pessoas ruins que não querem se corrigir e sim fazer coisas ruins. Entretanto poderia ser uma ponte para as pessoas boas, que cometeram um erro, se arrependeram do que fizeram e procurar tocar as suas vidas de uma maneira melhor.
O problema geral do Brasil, na minha opinião, que afeta as áreas de segurança, saúde, educação, previdência social e etcetera é que nossos políticos não pensam no Brasil no futuro e muito menos nós como população. Os políticos fazem ações que tragam resultados dentro do seu mandato, de maneira que possam se candidatar a mais um. Nada é feito pensando no longo prazo, nas pessoas e no país. Tudo é feito com soluções paliativas para termos efeitos imediatos e termos a ilusão de que o país melhorou. Ledo engano! Somos todos enganados pelos políticos e por nós mesmos.
Para mim, o pouco tempo em que eu fiquei preso (somente 2 meses, mas que pareceram 2 anos) me ajudou em uma série de sentidos. Acho que se eu tivesse sido trazido para prestar depoimento e liberado em seguida poderia ter feito algo ruim para a pessoa que eu machuquei. Talvez tivesse ido tirar satisfações ou feito algo pior. Sentia muita raiva e ódio por essa pessoa por ela ter me denunciado, por ter perdido o emprego por causa disso e pelos meus amigos terem me abandonado. Hoje, acredito que ter sido preso foi, até certo ponto, a melhor coisa que me aconteceu. Pude refletir muito nesse tempo todo (afinal o que eu mais tinha era tempo) e cheguei a conclusão de que essa pessoa é fantástica! Ela é uma pessoa muito forte! Muito corajosa e muito madura! Ela me inspira a ser uma pessoa melhor, a ter essa mesma força e coragem que ela demonstrou.
Eu comecei neste período a entender de que eu fiz uma série de coisas erradas na minha vida e de que essa era a hora de finalmente pedir ajuda. De que eu sozinho não conseguiria me sustentar por muito tempo. Isto foi fundamental para que eu pudesse procurar a ajuda de uma psicóloga e de um psiquiatra. Caso eu não tivesse sido preso acredito que seria impossível que eu fosse atrás desta ajuda.
Sobre o emprego que eu perdi, estou lentamente tentando aceitar que a atitude da minha ex-empresa foi justificada considerando o pensamento deles. Ainda não aceito que eles não tenham em nenhum momento tentando me ajudar ou minha família oferecendo aconselhamento psicológico para eles ou enviando assistentes sociais (ambos profissionais que eles possuem em seu quadro de funcionários) para ajudar. Entretanto o que foi feito está feito e não importa o quanto eu queira isto não vai mudar.
Sobre os amigos que nunca mais me ligaram, nunca mais quiseram saber sobre mim até certo ponto foi algo para melhor. Entendo que existem pessoas que não vão conseguir lidar com o meu problema e que preferem se afastar de mim ao invés de tentar entender. Entendo e respeito isso. Entretanto, gostaria de que isto fosse dito na minha cara ao invés do sumiço repentino de todos mas, novamente, não se pode ter tudo. Além disto, penso que de uma maneira geral foi algo bom o sumiço destes amigos. De uma certa maneira me ajudou a re-avaliar muita coisa no que eu acreditava que fosse amizade e que entendo agora que não era. Amigos de tempo bons não são amigos! Amigos são para todas as horas! Os poucos amigos que me restaram, que me apoiaram através de tudo, estes sim são meus amigos! Prefiro meia dúzia de bons amigos do que vários falsos.
Espero que todos estejam bem! Eu estou por aqui ainda, vivo apesar de inativo em questões de posts neste blog. Estas últimas semanas tem sido bem corridas por causa do apartamento que está para ser entregue, logo estou tendo que ir atrás de um monte de coisas para ele. Fazer pesquisa de preço é legal, afinal poupa o nosso suado dinheirinho mas dá uma trabalheira e uma canseira que é complicado!
Neste última semana que passou teve a primeira assembléia geral do prédio e um coquetel da entrega dos apartamentos. A assembléia foi extremamente caótica! Impressionante como sai bate boca para todos os lados, cada um querendo dar os seus dois centavos de opinião e etc. Caso a gente fosse estudar seres humanos em assembléias acredito que teríamos a certeza que de que o ser humano não foi feito para viver em convívio social.
Uma das questões mais importantes que foi discutida foi em relação a ter portaria 24h no prédio ou não. Isto impacta diretamente no valor do condomínio que terá que ser pago mensalmente pelos condôminos. Sinceramente, até sou favorável a ter portaria 24h mas não de início no prédio. Como o valor do condomínio aumenta muito (para a fração ideal do meu apartamento, aumenta mais de R$ 110,00) com esta opção acho mais válido no início a opção que foi escolhida na assembléia. Basicamente, teremos um vigia das 19h até as 07h da manhã quando entra o zelador do prédio. As 9h entra o porteiro para cobrir quando o zelador sair 2h antes. Dessa maneira teremos alguém no prédio praticamente 24h, com possíveis buracos nas trocas de pessoal. A única coisa ruim é que domingo não tem ninguém dai para ficar na portaria.
A vantagem, pelo menos no meu ponto de vista, é que podemos utilizar uma porcentual dessa economia que fizemos para contratar uma vigilância monitorada, colocar cerca elétrica no prédio e adicionar mais câmeras no mesmo. Dessa maneira já teremos um bom nível de segurança. Mesmo tendo um porteiro 24h, ele não poderá fazer nada caso alguém venha assaltar o prédio ou algo do estilo, é somente o fator psicológico de que teremos alguém presente no prédio a todo momento. Acho que essa opção de economizar no início e adicionar itens de segurança passivos primeiramente e depois avaliar se é necessário colocar portaria 24h melhor.
O coquetel foi bem bacana, deu para conhecer alguns dos futuros vizinhos e na sua maioria todos pareciam legais. Claro que um encontro não é suficiente para julgar ninguém obviamente, até porque caso fosse provavelmente a minha presença no meio de todos seria no mínimo polêmica. Acho um tanto irônico ter ido conhecer os meus futuros vizinhos sendo que provavelmente irei passar alguns anos afastado na prisão. Imagino como vai ser quando eu finalmente puder me instalar no meu apartamento daqui a alguns anos. Imagino se algum deles um dia irá descobrir sobre mim e se isso irá me causa problemas. Infelizmente não é algo que eu possa controlar e nem prever agora, então não posso fazer nada além de esperar e imaginar.
Sobre mim em específico, não tem nada demais no front. Eu tive uma consulta com o meu psiquiatra na semana passada e relatei um resumão sobre tudo que aconteceu neste último mês. Conversamos sobre a questão da minha prima e como foi minha reação a isso tudo e mais algumas outras coisas e no geral ele acredita que foi muito positivo a maneira como eu me portei. Pedi para ele aumentar a dose do meu remédio. Tomo Carbonato de Lítio que é um estabilizador de humor utilizado em episódios maníacos de Bipolaridade. No meu caso, a ideia principal é para ele agir como um amenizador de impulsos (por isso que é usado nos episódios maniacos de bipolaridade) de maneira que me permita me controlar caso eu sinta vontade de fazer algo ruim.
Importante ressaltar que o remédio em si não serve de nada caso eu queira fazer mesmo algo ruim, ele serve como um apoio para me segurar em um momento inicial, mas o esforço para não fazer algo tem que ser consciente. Aprender a controlar isto conscientemente é a razão principal para eu estar fazendo terapia com a psicóloga. Logo, preciso de ambas as frentes (o remédio e a terapia) para que eu posso ter a habilidade de controlar os meus impulsos e desejos. Como este remédio me deu uma reação adversa que foi o aparecimento de acnes no rosto tive que ir numa dermatologista para fazer o controle disso. Inicialmente ela me receitou o Clyndoxil Control 5% que ajudou muito no controle da acne. Praticamente não tenho mais inflamações e espinhas na pele. Agora com o aumento da dose voltei lá e ela me receitou a versão 10% mas pediu para eu continuar com a 5% para ver se resolve. Caso resolva, não uso a 10% que é bem forte.
Fora disso, o temido dia 27/10/2015 está quase ai, pouco mais de uma semana até ele. Acho que já relatei diversas vezes aqui como o período anterior a minha primeira audiência tinha sido turbulento para mim. Eu me sentia paralisado pelo medo que sentia de que seria preso na primeira audiência. Sentia uma ansiedade tremenda pelo o que estava por vir e mais uma série de coisas ruins. Essa audiência veio e passou sem que nada acontecesse. Seria ótimo se o mesmo evento que ocasionou o adiamento da primeira audiência acontecesse novamente. Neste caso, haveria um aspecto positivo a meu favor de já ter comparecido em ambas as audiências.
Deixo claro novamente, sim, sei que sou culpado e de que o correto é que eu sirva minha sentença na prisão. Entretanto, para as pessoas que nunca estiveram encarcerados, vocês não tem a mínima idéia do inferno que é ser preso. Ser tratado como algo pior que um bicho. Ser xingado, agredido por agentes. Viver em condições sub-humanas como celas escuras, sem iluminação natural ou artificial, úmidas, com cheiro de mofo. Celas super lotadas, lugares que deveriam abrigar 12 pessoas abrigando mais de 16. A comida é horrível e nojenta, duvido que se gaste mais do que 3 reais para fazer aquelas marmitas que são servidas.
Antes que vocês pensem "Sim! Merecem, afinal fizeram coisas erradas!" eu digo: A algum tempo atrás até concordaria com você. Entretanto, todos podemos vir a errar um dia e se encontrar nessa situação. Mesmo que uma pessoa faça algo errada e vá para a cadeia, esse tempo de pena deveria ser socioeducativo além de punitivo. Com os presos vivendo nas condições que eu vi e vivi na pele não me surpreendo de eles retornarem para a sociedade piores do que quando entraram. Encontrei várias pessoas cujo único objetivo era fugir o mais cedo possível (porque não aguentavam mais as condições da cadeia) e voltar a praticar crimes. Nestes casos, do que serve a pessoa ficar presa?
Claro, a criminalidade irá abaixar por alguns anos. Ótimo! Dai vemos secretários de segurança se candidatando para cargos públicos dizendo que reduziram em X% a criminalidade em seu mandato. Entretanto, estas pessoas que foram presas um dia irão retornar a sociedade, seja por um meio ilegal como a fuga ou um legal como a soltura. Com a condição das cadeias como estão onde, além de tudo que eu relatei, os agentes estão pouco se importando com os presos. A administração também pouco faz para re-educar essas pessoas. Quando elas retornam para o convívio público serão com certeza pessoas mais raivosas com um desejo de vingança para com todos pelo período que passaram lá. Isto me parece ser um ciclo vicioso infinito.
Vejam, não defendo que os presos sejam tratados a banquetes e com celas como quartos de hotéis. Bastaria que os governos (municipais, estaduais e federais) dessem o mínimo de condição digna para estes presos. Isto, aliado com alguns programas que pudessem dar educação básica (muitos não tem nem o fundamental), ensinar profissões e dessem empregos enquanto estivessem presos ajudaria estas pessoas a entenderem que existe um pós cadeia bom para eles. Onde não teriam que recorrer ao crime para se sustentar. Não seria a solução definitiva, já que sempre irão existir pessoas ruins que não querem se corrigir e sim fazer coisas ruins. Entretanto poderia ser uma ponte para as pessoas boas, que cometeram um erro, se arrependeram do que fizeram e procurar tocar as suas vidas de uma maneira melhor.
O problema geral do Brasil, na minha opinião, que afeta as áreas de segurança, saúde, educação, previdência social e etcetera é que nossos políticos não pensam no Brasil no futuro e muito menos nós como população. Os políticos fazem ações que tragam resultados dentro do seu mandato, de maneira que possam se candidatar a mais um. Nada é feito pensando no longo prazo, nas pessoas e no país. Tudo é feito com soluções paliativas para termos efeitos imediatos e termos a ilusão de que o país melhorou. Ledo engano! Somos todos enganados pelos políticos e por nós mesmos.
Para mim, o pouco tempo em que eu fiquei preso (somente 2 meses, mas que pareceram 2 anos) me ajudou em uma série de sentidos. Acho que se eu tivesse sido trazido para prestar depoimento e liberado em seguida poderia ter feito algo ruim para a pessoa que eu machuquei. Talvez tivesse ido tirar satisfações ou feito algo pior. Sentia muita raiva e ódio por essa pessoa por ela ter me denunciado, por ter perdido o emprego por causa disso e pelos meus amigos terem me abandonado. Hoje, acredito que ter sido preso foi, até certo ponto, a melhor coisa que me aconteceu. Pude refletir muito nesse tempo todo (afinal o que eu mais tinha era tempo) e cheguei a conclusão de que essa pessoa é fantástica! Ela é uma pessoa muito forte! Muito corajosa e muito madura! Ela me inspira a ser uma pessoa melhor, a ter essa mesma força e coragem que ela demonstrou.
Eu comecei neste período a entender de que eu fiz uma série de coisas erradas na minha vida e de que essa era a hora de finalmente pedir ajuda. De que eu sozinho não conseguiria me sustentar por muito tempo. Isto foi fundamental para que eu pudesse procurar a ajuda de uma psicóloga e de um psiquiatra. Caso eu não tivesse sido preso acredito que seria impossível que eu fosse atrás desta ajuda.
Sobre o emprego que eu perdi, estou lentamente tentando aceitar que a atitude da minha ex-empresa foi justificada considerando o pensamento deles. Ainda não aceito que eles não tenham em nenhum momento tentando me ajudar ou minha família oferecendo aconselhamento psicológico para eles ou enviando assistentes sociais (ambos profissionais que eles possuem em seu quadro de funcionários) para ajudar. Entretanto o que foi feito está feito e não importa o quanto eu queira isto não vai mudar.
Sobre os amigos que nunca mais me ligaram, nunca mais quiseram saber sobre mim até certo ponto foi algo para melhor. Entendo que existem pessoas que não vão conseguir lidar com o meu problema e que preferem se afastar de mim ao invés de tentar entender. Entendo e respeito isso. Entretanto, gostaria de que isto fosse dito na minha cara ao invés do sumiço repentino de todos mas, novamente, não se pode ter tudo. Além disto, penso que de uma maneira geral foi algo bom o sumiço destes amigos. De uma certa maneira me ajudou a re-avaliar muita coisa no que eu acreditava que fosse amizade e que entendo agora que não era. Amigos de tempo bons não são amigos! Amigos são para todas as horas! Os poucos amigos que me restaram, que me apoiaram através de tudo, estes sim são meus amigos! Prefiro meia dúzia de bons amigos do que vários falsos.
terça-feira, 13 de outubro de 2015
Inspiração demais é prejudicial a blogagem
Olá a todos,
Espero que todos estejam bem. Novamente vem eu para postar as coisas a essas horas da noite. Não sei porque mas me sinto melhor para escrever aqui perto do fim do dia. Acho que é porque isso me dá tempo ao longo do dia para refletir sobre tudo que aconteceu e poder escrever algo mais coeso.
Originalmente havia pensado neste blog mais como um scrapbook dos meus pensamentos, um lugar para escrever tudo que passava pela minha cabeça a qualquer momento. Seria interessante essa abordagem também, mas com certeza bem mais caótica de se ler né? Neste caso, acho que seria melhor manter esse scrapbook como um arquivo pessoal no meu celular ou computador e utilizar ele como material de consulta quando eu for escrever aqui, o que vocês acham?
Faz bastante tempo desde a última vez que eu postei aqui e bastante coisas aconteceram, entretanto não irei postar todas aqui. Admito que isto se deve em parte a eu achar, agora que algum tempo se decorreu desde o acontecimento, que elas não são dignas de serem escritas e postadas aqui. Talvez eu mude de ideia depois e acabe por escrever algo sobre elas aqui. Por enquanto eu vou deixar no ar algumas coisas. Esta é a razão do título deste post, as vezes ter assunto demais sobre os quais escrever te leva a escrever nada.
Como dita a minha mania de controle mais a minha necessidade de categorizar e catalogar as coisas me atirei a tarefa de listar tudo que eu já tenho para o meu apartamento novo e tudo que precisa ser comprado. Tarefa bem chata, diga-se de passagem, e antigamente não me dignaria a realizá-la. Entretanto, agora o que eu mais tenho é tempo (desempregado, ex-presidiário, futuro presidiário) e como a economia está um lixo (Valeu PT!!!) é necessário evitar gastos desnecessários onde for possível. Além disto, precisava realmente ocupar um pouco minha cabeça com uma tarefa que simbolizasse um futuro.
Pode parecer algo estranho escolher fazer uma lista para isto, mas o meu apartamento foi, por muito tempo, um certo símbolo de liberdade para mim. Finalmente sairia da casa dos meus pais e iria morar sozinho. Adeus mágica da roupa lavada! Adeus mágica da roupa guardada no armário! Adeus comida quente, gostosa e pronta quando eu chegar em casa! Olá Liberdaaaaaaaaadeeeeeeee!! (Como diria o William Wallace).
Este foi um objetivo bem grande que eu havia traçado na minha vida a cerca de 2/3 anos atrás. Hoje, o apartamento até certo ponto representa uma dor de cabeça maior que uma alegria em certos termos. Tem a questão de pagar financiamento, mobiliar, condomínio e etc... Como vivo a base do seguro-desemprego (Valeu PT!!! Agora sem a ironia) é complicado toda essa questão. Não irei explicar a mágica necessária para fazer o balanço dar certo no final do mês, mas acreditem que não é fácil.
Mesmo assim, organizar algo para o apartamento é bom para mim. Ter uma esperança de algo de futuro, por mais imediato que este seja, já é algo que me deixa feliz. Não consigo ver um futuro além do dia 27 de Outubro, mesmo sabendo que as chances de eu ir preso neste dia sejam minúsculas (tipo, 1%).
Entretanto, meu cérebro está travado na possibilidade ruim ao invés da boa e isso é prejudicial para mim. Não estou tão angustiado e em pânico como eu estava para a primeira audiência. A psicóloga comentou que, como eu já passei por essa experiência uma vez, tenho mais ansiedade em relação ao que vai acontecer. Isto devido a já saber como é o procedimento, onde e como é o local da audiência, saber quem é o juiz e etc. O desconhecido, segundo ela, gera uma angústia normal nas pessoas. Logo, saber o que vem pela frente facilita muito para minha cabeça se acalmar. Além disto, o fato de ter ido na primeira audiência sem ter sido intimado (não me pergunte o que aconteceu com o oficial de justiça) me tirou um peso enorme das costas.
Antes do dia 30 de Junho, o meu maior medo era ir para a audiência e ser preso imediatamente. Ser preso sem poder voltar a ver meus pais e passar novamente pelo período de quarentena sem visitas. Isto é, realmente, algo muito ruim. Saber que essa possibilidade era pequena não me ajudava em nada na minha angústia. Me sentia como um preso andando pelo corredor da morte com a cadeira elétrica esperando no final do corredor. Era uma marcha lento mas inexorável para o fim. Dramático, não? mas era como eu me sentia.
Ter tido a maturidade e coragem para enfrentar a audiência, mesmo sem precisar fazer isso, me libertou dessa sensação de apocalipse. Eu posso dizer, com orgulho, que eu enfrentei o meu maior medo de cabeça erguida. Posso imaginar que vocês pensem que o que eu digo é uma grande besteira, que meu medo era injustificável. Eu concordo com vocês, mas infelizmente era como eu me sentia.
Tal como uma pessoa possui uma fobia, por mais esdrúxula que pareça para as outras pessoas, meu medo era irracional e inexplicável. Novamente, repito com orgulho, eu enfrentei meu medo de frente, não me importando com as consequências. Isto é realmente libertador, toda vez que eu me lembro deste dia e da ligação que eu fiz após a audiência para os meus pais chegam a escorrer lágrimas dos meus olhos.
Logo, agora, para esta próxima audiência, me sinto sim angustiado. Entretanto me parece que essa angústia é mais proporcional a algo que qualquer pessoa sentiria por não saber o que pode vir a acontecer com si em um futuro próximo. Digo, é algo mais similar a o que alguém pode sentir ao ficar ansioso por saber o resultado do vestibular ou de uma entrevista de emprego. Sim, pode ser algo bem forte mas gerenciável. Não estou entrando em colapso mental total, somente parcial :) .
Fazer essa tarefa tão pequena que é arrumar uma lista de itens do apartamento é algo enorme para mim. Na audiência anterior não queria começar a fazer nenhuma tarefa, não queria sair de casa para nada, simplesmente ficava consumido com a ideia de ser preso. Agora, apesar disto passar pela minha mente eu consigo conviver e gerenciar essa noção. Além disso, consigo me dedicar a realizar outras tarefas sem ser paralisado pelo meu medo. Para mim, isto é uma evolução, mesmo que a tarefa sendo realizada seja extremamente simples e besta.
Claro, tive que complicar a lista de itens com diversas fórmulas (afinal, gosto de matemática e sou analista de sistemas por profissão) então a planilha gera alguns relatórios dinâmicos por cômodo sobre o que falta comprar de prioritário, o que falta comprar de não prioritário e uma estimava de preço geral das coisas. Demorou cerca de 2 horas para montar tudo e colocar tudo que eu já tenho e mais algumas outras horas para preencher os itens que eu ainda preciso comprar. Sinto que, apesar de pequena, foi uma tarefa útil e por isso ela é recompensadora para mim. Fico feliz de ter criado essa lista. Novamente, ponto positivo para a minha auto estima!
Falei anteriormente sobre como estou tentando não deixar meu medo me paralisar. Isto foi algo que eu havia refletido sobre a alguns dias. Medo é uma ferramenta muito útil para o ser humano. Medo faz com que você pense duas vezes antes de fazer algo, que te obriga a exercer cautela de maneira a evitar que algo ruim aconteça com você. Entretanto, medo também pode ser algo muito ruim quando você se deixa dominar por ele. Quando o seu medo te paralisa, quando ele te impede de viver a sua vida, você está, de uma certa maneira, sabotando a si mesmo. O medo é seu, logo você deveria ter controle sobre ele e não o contrário. Isto é muito fácil de dizer e muito difícil de realizar, posso dizer verdadeiramente por experiência própria.
Tenho tentado encarar isso da seguinte maneira: Mantenho meu medo por perto, para que ele possa me ajudar a pensar duas vezes nas coisas e me ajudar a identificar coisas perigosas. Entretanto, tenho tentado manter uma atitude mais positiva em relação a tudo, e quando necessário ignoro meu medo e dou um passo em direção ao desconhecido esperando que coisas boas aconteçam. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o meu amigo que veio conversar comigo o qual relatei no último post.
Falar com ele foi um passo em direção ao desconhecido. Meu medo me dizia para me preservar, ficar quieto e não arriscar me machucar. Me ferir irá fazer parte da minha caminhada, isso eu preciso aceitar. Preciso aceitar que também terei que aprender a tratar dessas feridas da melhor maneira possível. Também preciso entender que eu posso aprender mais sobre tratar estas feridas com as outras pessoas, meus amigos, meus parentes, a psicóloga e o psiquiatra. O risco de me machucar não deve me impedir de tentar. Nada deve me impedir de tentar e dar um passo para frente. A única coisa que pode me impedir de dar esse passo sou eu mesmo. As vezes, é necessário mandar você mesmo se foder e simplesmente fazer as coisas!
Espero que todos estejam bem. Novamente vem eu para postar as coisas a essas horas da noite. Não sei porque mas me sinto melhor para escrever aqui perto do fim do dia. Acho que é porque isso me dá tempo ao longo do dia para refletir sobre tudo que aconteceu e poder escrever algo mais coeso.
Originalmente havia pensado neste blog mais como um scrapbook dos meus pensamentos, um lugar para escrever tudo que passava pela minha cabeça a qualquer momento. Seria interessante essa abordagem também, mas com certeza bem mais caótica de se ler né? Neste caso, acho que seria melhor manter esse scrapbook como um arquivo pessoal no meu celular ou computador e utilizar ele como material de consulta quando eu for escrever aqui, o que vocês acham?
Faz bastante tempo desde a última vez que eu postei aqui e bastante coisas aconteceram, entretanto não irei postar todas aqui. Admito que isto se deve em parte a eu achar, agora que algum tempo se decorreu desde o acontecimento, que elas não são dignas de serem escritas e postadas aqui. Talvez eu mude de ideia depois e acabe por escrever algo sobre elas aqui. Por enquanto eu vou deixar no ar algumas coisas. Esta é a razão do título deste post, as vezes ter assunto demais sobre os quais escrever te leva a escrever nada.
Como dita a minha mania de controle mais a minha necessidade de categorizar e catalogar as coisas me atirei a tarefa de listar tudo que eu já tenho para o meu apartamento novo e tudo que precisa ser comprado. Tarefa bem chata, diga-se de passagem, e antigamente não me dignaria a realizá-la. Entretanto, agora o que eu mais tenho é tempo (desempregado, ex-presidiário, futuro presidiário) e como a economia está um lixo (Valeu PT!!!) é necessário evitar gastos desnecessários onde for possível. Além disto, precisava realmente ocupar um pouco minha cabeça com uma tarefa que simbolizasse um futuro.
Pode parecer algo estranho escolher fazer uma lista para isto, mas o meu apartamento foi, por muito tempo, um certo símbolo de liberdade para mim. Finalmente sairia da casa dos meus pais e iria morar sozinho. Adeus mágica da roupa lavada! Adeus mágica da roupa guardada no armário! Adeus comida quente, gostosa e pronta quando eu chegar em casa! Olá Liberdaaaaaaaaadeeeeeeee!! (Como diria o William Wallace).
Este foi um objetivo bem grande que eu havia traçado na minha vida a cerca de 2/3 anos atrás. Hoje, o apartamento até certo ponto representa uma dor de cabeça maior que uma alegria em certos termos. Tem a questão de pagar financiamento, mobiliar, condomínio e etc... Como vivo a base do seguro-desemprego (Valeu PT!!! Agora sem a ironia) é complicado toda essa questão. Não irei explicar a mágica necessária para fazer o balanço dar certo no final do mês, mas acreditem que não é fácil.
Mesmo assim, organizar algo para o apartamento é bom para mim. Ter uma esperança de algo de futuro, por mais imediato que este seja, já é algo que me deixa feliz. Não consigo ver um futuro além do dia 27 de Outubro, mesmo sabendo que as chances de eu ir preso neste dia sejam minúsculas (tipo, 1%).
Entretanto, meu cérebro está travado na possibilidade ruim ao invés da boa e isso é prejudicial para mim. Não estou tão angustiado e em pânico como eu estava para a primeira audiência. A psicóloga comentou que, como eu já passei por essa experiência uma vez, tenho mais ansiedade em relação ao que vai acontecer. Isto devido a já saber como é o procedimento, onde e como é o local da audiência, saber quem é o juiz e etc. O desconhecido, segundo ela, gera uma angústia normal nas pessoas. Logo, saber o que vem pela frente facilita muito para minha cabeça se acalmar. Além disto, o fato de ter ido na primeira audiência sem ter sido intimado (não me pergunte o que aconteceu com o oficial de justiça) me tirou um peso enorme das costas.
Antes do dia 30 de Junho, o meu maior medo era ir para a audiência e ser preso imediatamente. Ser preso sem poder voltar a ver meus pais e passar novamente pelo período de quarentena sem visitas. Isto é, realmente, algo muito ruim. Saber que essa possibilidade era pequena não me ajudava em nada na minha angústia. Me sentia como um preso andando pelo corredor da morte com a cadeira elétrica esperando no final do corredor. Era uma marcha lento mas inexorável para o fim. Dramático, não? mas era como eu me sentia.
Ter tido a maturidade e coragem para enfrentar a audiência, mesmo sem precisar fazer isso, me libertou dessa sensação de apocalipse. Eu posso dizer, com orgulho, que eu enfrentei o meu maior medo de cabeça erguida. Posso imaginar que vocês pensem que o que eu digo é uma grande besteira, que meu medo era injustificável. Eu concordo com vocês, mas infelizmente era como eu me sentia.
Tal como uma pessoa possui uma fobia, por mais esdrúxula que pareça para as outras pessoas, meu medo era irracional e inexplicável. Novamente, repito com orgulho, eu enfrentei meu medo de frente, não me importando com as consequências. Isto é realmente libertador, toda vez que eu me lembro deste dia e da ligação que eu fiz após a audiência para os meus pais chegam a escorrer lágrimas dos meus olhos.
Logo, agora, para esta próxima audiência, me sinto sim angustiado. Entretanto me parece que essa angústia é mais proporcional a algo que qualquer pessoa sentiria por não saber o que pode vir a acontecer com si em um futuro próximo. Digo, é algo mais similar a o que alguém pode sentir ao ficar ansioso por saber o resultado do vestibular ou de uma entrevista de emprego. Sim, pode ser algo bem forte mas gerenciável. Não estou entrando em colapso mental total, somente parcial :) .
Fazer essa tarefa tão pequena que é arrumar uma lista de itens do apartamento é algo enorme para mim. Na audiência anterior não queria começar a fazer nenhuma tarefa, não queria sair de casa para nada, simplesmente ficava consumido com a ideia de ser preso. Agora, apesar disto passar pela minha mente eu consigo conviver e gerenciar essa noção. Além disso, consigo me dedicar a realizar outras tarefas sem ser paralisado pelo meu medo. Para mim, isto é uma evolução, mesmo que a tarefa sendo realizada seja extremamente simples e besta.
Claro, tive que complicar a lista de itens com diversas fórmulas (afinal, gosto de matemática e sou analista de sistemas por profissão) então a planilha gera alguns relatórios dinâmicos por cômodo sobre o que falta comprar de prioritário, o que falta comprar de não prioritário e uma estimava de preço geral das coisas. Demorou cerca de 2 horas para montar tudo e colocar tudo que eu já tenho e mais algumas outras horas para preencher os itens que eu ainda preciso comprar. Sinto que, apesar de pequena, foi uma tarefa útil e por isso ela é recompensadora para mim. Fico feliz de ter criado essa lista. Novamente, ponto positivo para a minha auto estima!
Falei anteriormente sobre como estou tentando não deixar meu medo me paralisar. Isto foi algo que eu havia refletido sobre a alguns dias. Medo é uma ferramenta muito útil para o ser humano. Medo faz com que você pense duas vezes antes de fazer algo, que te obriga a exercer cautela de maneira a evitar que algo ruim aconteça com você. Entretanto, medo também pode ser algo muito ruim quando você se deixa dominar por ele. Quando o seu medo te paralisa, quando ele te impede de viver a sua vida, você está, de uma certa maneira, sabotando a si mesmo. O medo é seu, logo você deveria ter controle sobre ele e não o contrário. Isto é muito fácil de dizer e muito difícil de realizar, posso dizer verdadeiramente por experiência própria.
Tenho tentado encarar isso da seguinte maneira: Mantenho meu medo por perto, para que ele possa me ajudar a pensar duas vezes nas coisas e me ajudar a identificar coisas perigosas. Entretanto, tenho tentado manter uma atitude mais positiva em relação a tudo, e quando necessário ignoro meu medo e dou um passo em direção ao desconhecido esperando que coisas boas aconteçam. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o meu amigo que veio conversar comigo o qual relatei no último post.
Falar com ele foi um passo em direção ao desconhecido. Meu medo me dizia para me preservar, ficar quieto e não arriscar me machucar. Me ferir irá fazer parte da minha caminhada, isso eu preciso aceitar. Preciso aceitar que também terei que aprender a tratar dessas feridas da melhor maneira possível. Também preciso entender que eu posso aprender mais sobre tratar estas feridas com as outras pessoas, meus amigos, meus parentes, a psicóloga e o psiquiatra. O risco de me machucar não deve me impedir de tentar. Nada deve me impedir de tentar e dar um passo para frente. A única coisa que pode me impedir de dar esse passo sou eu mesmo. As vezes, é necessário mandar você mesmo se foder e simplesmente fazer as coisas!
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
Post de Ontem Hoje - Parte 2
Onde continuamos assuntos inacabados....
Falei tanto no outro post Post de ontem hoje - Parte 1 sobre como eu sentia uma falta de esperança com o meu futuro que acabei não falando a coisa mais importante. A razão de ter perdido tanto tempo procurando coisas de decoração e utensílios para o meu apartamento é devido a uma mudança de postura que estou tentando adotar. Quero tentar ser uma pessoa mais otimista comigo mesmo e com o meu futuro. Não é algo fácil para mim, um pessimista de carteirinha, mas acredito que neste momento é a melhor escolha que eu posso fazer.
Sinto ainda uma certa sensação de fim do mundo rodeando a audiência no dia 27/10. Assim como na primeira audiência (a cerca de 4 meses atrás) eu estou focado na pequena possibilidade de o juiz determinar minha prisão diretamente na audiência. Segundo os meus advogados a chance gira em 1% e minha cabeça não consegue focar nos 99% restantes.
Apesar disto, posso dizer com toda sinceridade que esta minha angústia não é a mesma que eu sentia antes da primeira audiência. Formalmente eu não havia sido intimidado a comparecer a audiência, apesar de ser o réu acusado. Eu poderia não ter ido a audiência e ter forçado uma segunda audiência (fato que acabou acontecendo por outras razões que não vem ao caso). Entretanto eu escolhi ir na audiência, mesmo tendo o sentimento de que eu não voltaria para minha casa, de que iria diretamente para a cadeira. Esta decisão foi uma das mais difíceis que eu já tomei na minha vida e também uma das melhores. Ter tido essa maturidade, essa coragem, de realizar algo porque isto era o correto por mais que eu acreditasse que os prospectos para mim fossem ruins. Isto foi algo que me surpreendeu, não acreditava que eu era capaz de fazer isto. Logo, um pouco do mistério envolvendo a audiência foi dissipado.
Eu sei agora como funciona o procedimento, como é a sala da audiência, quem é o juiz e quem é a promotora. Eu estou indo para essa nova audiência com consciência de uma série de coisas. Claro, sempre haverão elementos desconhecidos que não podem ser previstos. Sim, posso ser preso diretamente na audiência. Entretanto, estes são fatos que estão no futuro e eu não posso controlá-los. Eu entendo isto agora e estou aceitando isto de uma maneira muito melhor. Não aceito 100%, verdade, mas entendo e compreendo isto também.
O que eu quero dizer com este exemplo e a caça às decorações para a minha casa é que eu estou tentando ter uma atitude mais positiva. Percebi que eu estava alimentando a paranoia dos meus pais de que eu ia ser preso e, por consequência, eles aumentavam a minha paranoia. Isto se tornava um ciclo infinito que somente aumentava, uma verdade bola de neve. Uma das coisas interessantes que decorreram do que eu relatei em Auto Estima é que a psicóloga me disse que, existe a chance, de que meus pais percebam como eu lidei bem com o episódio e comecem a ficar mais tranquilos em relação a rejeição que eu possa ter de outras pessoas.
Após a sessão, fiquei com isto na cabeça por alguns dias e tenho que concordar com o que ela disse. Percebi que as minhas reações em relação a tudo que está acontecendo estão refletindo nos meus pais. Assim como estava extremamente nervoso e angustiado antes eles também ficaram assim. Então me parece que se eu começar a mudar um pouco minha atitude por consequência estarei influenciando eles para melhor também.
Claro, esta postura mais positiva não é somente para ajudar os meus pais. Ela serve principalmente para me ajudar. Esta minha falta de vontade de realizar qualquer atividade antes da audiência, porque eu acreditava que iria preso e não conseguiria acabar nada começado, estava me engessando. Percebi que mesmo que a audiência fosse realizada e eu não fosse preso eu simplesmente arrumaria a desculpa de que enquanto não tivesse a condenação eu não poderia começar nada de novo. Esta condenação pode demorar anos. Então, eu simplesmente estava arrumando desculpas para não fazer nada. Eu estava sabotando a mim mesmo de uma certa maneira.
Minha idéia em adotar uma postura mais positiva é combater justamente isto. Procurar estes itens de decoração da casa são coisas que eu posso fazer da frente do meu computador e com algumas visitas a lojas. Não é uma tarefa dantesca (apesar de que a quantidade de opções é de deixar qualquer um louco, ou mais louco no meu caso). Escolher o piso que vai ser colocado, fazer alguns arranjos para o caso de eu ser preso (mas sem o pessimismo de ir preso, estou falando de medidas sensatas) como cancelar alguns serviços pagos mensalmente os quais somente eu tenho acesso e uma série de outras coisas ajuda. Ajuda a minha cabeça por estar fazendo algo de útil e por consequência eu me sinto útil. Ajuda os meus pais porque eles me veem fazendo algo de útil então acredito que passa a eles a confiança de que eu estou bem.
Logo, por mais que as vezes eu sinta um desânimo, uma apatia com a situação como um todo eu tenho que me forçar a dar um passo. A me movimentar. Vejam, não quero dizer com isto de que eu ache que eu tenho que ignorar esse meu sentimento de depressão e fingir que ele não existe. Estou dizendo que eu tenho que reconhecer esse sentimento e até certo ponto honrar ele. Não posso fingir que ele não está lá, senão irei voltar a fazer o que eu sempre fiz. Irei reprimir esse sentimento, irei armazená-lo dentro de mim, e ele simplesmente vai voltar em algum momento. Fazer isto é como guardar um veneno dentro de si, um veneno que pouco a pouco vai agindo e minando as suas forças.
O que eu quero dizer com dar um passo, nem que seja forçado, é reconhecer a apatia e desânimo. Saber que eles estão aqui dentro de mim e entender porque estou sentindo isso. Saber que isso é aceitável, se sentir mal as vezes. Saber que existem pessoas ao meu redor que querem me ajudar e com quem eu possa contar. Saber que eu posso pedir ajuda e que fazer esse pedido depende de mim. Dar um passo significa isso, enfrentar essa situação de frente. No meu caso, é tentar fazer algo de útil para que isso me gere uma confiança. Além disso, e essa é a parte nova, é poder chegar para uma pessoa amiga e dizer "Puxa, podemos conversar? Tô me sentindo meio mal hoje". Isto é algo que eu nunca poderia fazer antes. O mundo acabaria antes de eu falar essa palavras.
Hoje, eu preciso me forçar a dar esse passo. Ainda não é uma coisa natural para mim. Reconhecer isto é importante. Estas mudanças de postura, essa criação de um novo padrão de funcionamento, que irão me proporcionar, no futuro, a capacidade de dar esse passo de uma maneira natural. Assim espero!
PS 1 :
Enquanto estava procurando quadros de decoração, vi um com essa frase aqui ó:
Em tradução livre :
" A única pessoa que você está destinado a se tornar é a pessoa que você decide ser"
Para mim fez todo sentido! De uma certa maneira essa minha postura em geral, de procurar ajuda e querer melhorar, se resumem com essa frase. Eu quero ser uma pessoa melhor, esse é o meu objetivo. Somente posso alcançar isso com duas coisas: determinando isso como meu objetivo e indo atrás do objetivo!
PS 2:
Hoje, conversei de novo com um amigo que não conversava desde que eu fui preso. Ele já havia tentando conversar comigo diversas vezes anteriormente mas, por medo de como ele iria reagir, eu decidi ignorar ele. Hoje, quando ele me mandou uma mensagem resolvi falar com ele. Decidi isso porque entendi que as pessoas tem suas reações de acordo como elas devem ter ou sentir que é certo. Não existem reações boas ou ruins numa situação em que ninguém nunca passou antes. Isto veio também da questão do post Auto Estima mas principalmente dessa mudança de atitude mais positiva.
Eu poderia pensar, novamente, negativamente. Pensar que ele iria me xingar ou me tratar mal e me resguardar disso. Falei com ele entretanto esperando o melhor, que ele fosse continuar sendo meu amigo. Caso ele não correspondesse a essa minha expectativa então eu teria que ter a maturidade de lidar com isso. Felizmente meu otimismo foi correspondido. Conversamos sobre tudo um pouco e de uma maneira bem normal assim como éramos antigamente. Claro, conversamos sobre o que aconteceu mas em nenhum momento ele ficou especulando ou perguntando sobre o ocorrido. Ele foi muito legal e calmo e queria saber principalmente sobre mim e como eu estava. Isso me deu a tranquilidade de abordar o assunto com ele e explicar uma série de coisas. Foi algo muito legal e mais um ponto positivo para a minha auto estima!
Post de Ontem Hoje - Parte 1
Deveria ter postado isto aqui ontem (dia 09/10) mas hoje acabei por me distrair pesquisando coisas de decoração e utensílios para casa na internet. A mais de dois anos atrás eu havia comprado um apartamento na planta que está para ser entregue neste mês. Interessante notar que teve somente 1 mês de atraso. Sei que qualquer atraso é difícil de ver, mas conheço (ou conhecia né? afinal estas pessoas não falam mais comigo) várias pessoas que tiveram a entrega dos seus imóveis atrasadas em mais de meio ano e, em alguns casos, em mais de 1 ano.
Sei que parece um início estranho de post, considerando como quase todos os outros posts começaram, mas relato isto porque faz parte de uma mudança no meu comportamento que estou tentando adotar. A mudança não é o consumismo em si (afinal de contas, agora sem emprego vivo do seguro-desemprego! Pelo menos uma vez na minha vida o PT está fazendo algo de bom para mim), A mudança consiste em ter mais esperança para o meu futuro.
Ultimamente não achava que eu iria acumular em nada de bom pelo resto da minha vida. Não estava contente comigo mesmo em termos de auto estima (por isso tão importante para mim foi o evento relatado no post Auto Estima). Também não estava confiante que eu poderia dar seguimento na minha vida neste preâmbulo da audiência, eventuais recursos e a condenação. Muito menos achava que após cumprir minha pena eu seria capaz de recomeçar minha vida, seja em outra cidade ou até mesmo em outro país.
Entendo que isso até certo ponto se configure como uma depressão. Eu realmente não tinha muitas esperanças de que minha vida iria melhorar algum dia. Eu estava indo para a academia para melhorar fisicamente a questão de peso, diabetes, pressão alta. Eu estava indo na psicóloga e no psiquiatra para me entender melhor e buscar ajuda e apoio na busca de melhorar o meu Eu. Entretanto, apesar de considerar ambas as coisas importantes eu estava indo com a maré. Fazia estas coisas mas poderia muito bem não fazer elas. Não por não acreditar que estas ações não trariam benefícios mas por uma falta de vontade de viver acredito eu. Este sentimento não era contínuo mas era persistente. Aliás, ainda é.
Pensei em cometer suicídio diversas vezes e inclusive planejei como executar isso. Meu lado racional é tão calculista que tenho 3 planos distintos para cometer suicídio. Continuo aqui entretanto, porque apesar de sentir essa desilusão, essa descrença no futuro, eu, em algum nível de consciência, sabia que tinha que continuar indo para a frente. Lentamente estou entendendo que eu não quero me matar, não sinto mais essa vontade de maneira tão urgente. Estou pouco a pouco adquirindo confiança em mim mesmo, confiança de que eu consigo atravessar este período da minha vida.
Não é fácil conseguir seguir em frente em momentos de dificuldade na vida. Passei por outras dificuldades na minha vida, assim como todas as pessoas passam. Infelizmente esta minha característica de internalizar meus sentimentos fez com que estes períodos fossem mais difíceis do que deveriam ser. Hoje, na consulta com a psicóloga, estavamos conversando sobre esta questão de controle que eu tenho. Ela comentou que eu sou muito 8 e 80 em relação a isso, que eu preciso ter o controle total da situação (ou pelo menos a ilusão disto) ou então eu me torno extremamente submisso. Isto vindo de diversas histórias que eu relatei para ela (histórias as quais eu não irei reproduzir aqui, me desculpem) sobre como eu me portei em diversas situações ao longo da minha vida.
Essa minha obsessão por controle me faz abraçar mais coisas do que eu deveria em determinados momentos e acabo não tendo uma relação de igual para igual com as outras pessoas. De uma maneira geral me fez aguentar mais carga emocional do que eu deveria. Ao invés de compartilhar isto com as pessoas que estavam na mesma situação eu tendo a assumir um papel de "protetor", de alguém que esta controlando as outras pessoas, e acabo trazendo para os meus ombros os sentimentos dos outros. De uma certa maneira faço isto para ajudar as outras pessoas a se sentirem melhor. Como nunca fui uma pessoa de se abrir sobre si eu sempre fui um bom ouvinte dos problemas alheios. Isto é algo bom e positivo mas a partir do momento em que eu somente aceito a carga dos outros e não compartilho a minha a pressão maior fica comigo. Este comportamento individualista e arrogante (no sentido de que eu achava que seria capaz de lidar com tudo sozinho) me faz guardar mais e mais coisas dentro de mim.
A cerca de dois anos atrás, tive um outro problema pessoal muito grande. Na verdade, um problema da família como um todo. Este evento foi a coisa mais marcante que aconteceu na minha vida até hoje. Dificilmente se passa um dia que eu não pense nisso. Quando isto aconteceu, meus pais ficaram arrasados. Eu cheguei em um ponto a ter medo que eles fizessem a besteira de cometer suicídio. Toda essa tristeza, angústia, raiva e uma série de outras coisas que eles sentiam eram compartilhadas comigo. Eu era a base de apoio deles. Diversas vezes eu chegava em casa do trabalho e encontrava ambos chorando. Eles choravam em meu ombro por mais de hora e quando um parava o outro começava. Eu fui aguentando isto, dia após dia. Entretanto eu não compartilhava com eles a dor que eu sentia, uma dor semelhante a deles. O fluxo de sentimentos e emoções era deles para mim. Eu fiquei quieto e, estoicamente, fui aguentando a pressão.
Cheguei em um ponto em que comecei a sentir raiva dos meus pais porque somente eles despejavam a sua carga em mim. Não queria mais chegar em casa para ouvir os choros deles e nem queria confortá-los. Ao mesmo tempo, sentia culpa por sentir essa raiva deles. Entendo hoje que o erro foi meu. Eu deveria ter conseguido me abrir com alguém. Poderia não ser com eles, mas poderia ter sido com os meus amigos e outros parentes.
Até que em determinado ponto meu cérebro simplesmente estressou além do seu limite. Eu entrei em uma depressão severa, não sentia vontade de fazer nada. Levantava da cama de manhã para me arrumar para o trabalho mas não sentia vontade de ir trabalhar. Também não sentia vontade de ficar dormindo. Simplesmente não queria fazer nada. Se pudesse cavar um buraco no chão e me esconder dentro dele eu faria. Deixaria o mundo seguir seu caminho e me removeria dele.
O engraçado é que, lembrando desse período, eu queria cometer suicídio mas ao mesmo tempo não queria. Eu não queria mais viver a minha vida, queria que tudo parasse. Uma das formas que eu imaginei que poderiam me ajudar nisso era o suicídio e mesmo assim até esse ato eu não sentia vontade de fazer. Atravessava os dias no trabalho mecanicamente. Eu era algo similar um robô de carne e osso. Fazia minhas tarefas, voltava para casa no fim do dia mais por que este era a rotina do que por outra coisa.
Isto também está relacionado ao que eu fiz, assim como expliquei um pouco no Como folhas ao vento . Cheguei em um estado de anestesia tão completo que acredito que, quando a oportunidade se apresentou de liberar um desejo reprimido, eu simplesmente explodi. Tudo que eu guardava dentro de mim (a tristeza, a raiva, o rancor, os meus ímpetos) acabaram sendo manifestados de uma maneira violenta.
Comentei hoje com a psicóloga que eu penso nisso como se eu fosse uma represa. Eu construí uma represa interna e guardei tudo o que eu sentia atrás dela. Ela lentamente foi enchendo, até o momento que ela começou a transbordar. Se eu tivesse procurado ajuda mais cedo talvez eu poderia ter aprendido mecanismos para esvaziar essa represa de uma maneira controlada. Infelizmente não procurei essa ajuda. A represa simplesmente estourou um dia. Uma pessoa inocente, que não tinha nada a ver com a minha história, foi machucada por mim nessa explosão. Não busco dar desculpas pelo o que eu fiz, sei que estou errado. Simplesmente estou querendo dizer que uma sucessão de erros meus, provenientes da minha imaturidade de maneira geral, trouxe consequências terríveis.
